Coluna Religião
Em AL: Congregação FSCJ encerra Jubileu de Ouro
Irmãs Filhas do Sagrado Coração de Jesus foram acolhidas no Nordeste brasileiro no início da década de 1970, em meio à ditadura
Neste domingo (18), as Irmãs Filhas do Sagrado Coração de Jesus (FSCJ) encerram a celebração do Jubileu de Ouro de chegada em Alagoas e de presença missionária no Nordeste, Norte e Centro-Oeste do Brasil.
“A comemoração tem a marca bíblica de celebrar um jubileu: tempo de contemplar a história como evento salvífico, como reconhecimento da bondade e misericórdia de Deus para com seu povo; tempo de alegre consciência do perdão por falhas constatadas ao longo do caminho; tempo de esperança/certeza de novas respostas possíveis, a partir das lições que a retomada histórica possibilita”, explica a Irmã Odete de Moura, integrante da congregação.
As FSCJ foram acolhidas no Nordeste brasileiro no início da década de 1970, ainda marcada pela ditadura militar, com intenso anseio do povo por justiça e paz. A decisão do envio para esta região de Alagoas foi uma resposta ao desafio missionário da congregação de se expandir, atendendo também aos apelos da Igreja feitos aos religiosos de todas as congregações, no clima esperançoso de pós-Concílio Vaticano II.
Ela lembra que, na época, Dom Adelmo Cavalcante Machado era arcebispo da Igreja de Maceió, tendo como bispo auxiliar, Dom Eliseu Gomes de Oliveira. “No desejo de intensificar a promoção humana e a evangelização na Área Norte do Estado onde era grande a pobreza, Dom Eliseu foi ao Rio Grande do Sul em busca de padres que animassem o trabalho missionário. "Não tendo conseguido sacerdotes, foi aconselhado a dirigir-se às FSCJ”, disse.
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A partir de uma consulta às Irmãs da região sul do país, quatro foram escolhidas como pioneiras da nova missão: as Irmãs Nazarena Missio, Anna Maria Canci, Ritta Basso e Zélia Fronza. Depois de um preparo inicial, de conhecimentos básicos para a inserção na nova realidade e para assumir os serviços a serem prestados na nova missão, em 3 de março de 1971, após uma Missa de envio, elas vieram para Maceió, onde chegaram acompanhadas por Dom Eliseu, no dia 14 de março de 1971.
“Como a casa escolhida para sede do primeiro núcleo da missão, ainda não estava pronta, elas ficaram hospedadas na sede do Arcebispado até o dia 18 de julho, quando foram para Maragogi onde a Missão foi oficialmente iniciada, recebendo a denominação de Centro de Comunidade Santo Antônio”, explica.
O leque de atividades ampliou-se ao longo dos 50 anos. A fundação de uma cooperativa e, depois, de um espaço alugado para encontros e refeições de grupos diversos em Maragogi, além de uma casa de encontros e de espiritualidade – o Recanto Coração de Jesus, em Maceió – representam não apenas fontes de ajuda para sustento da congregação, mas constituem uma forma de valorizar e aproveitar a agricultura familiar e os produtos mais livres de agrotóxicos, bem como de oferecer à comunidade espaços de formação, capacitação, troca de experiências, cuidado, acolhida e escuta de que tanto se necessita, sobretudo neste tempo de pandemia.