Artigo
UM SONHO MEU
...
Tive um sonho curioso, interessante e cheio de mensagens. Como todo sonho, ele ficou na minha memória meio confuso, incompleto, mas, refletindo depois sobre ele, descobriu duas grandes mensagens ou lições.
Sonhei que fiz uma viagem com muita gente em um ônibus. Os passageiros eram todos homens e nossa meta de viagem foi um seminário em um Estado nordestino. Que formos fazer por lá, não sei dizer, mas isto não é importante. O importante nossa chegada e nosso alojamento.
Quando cheguei, desci do ônibus e fiquei desorientado. Não conhecia ninguém, nem ninguém me deu a mínima atenção. Segui o grupo e entrei no seminário, uma grande casa. Muitos dos passageiros eram seminaristas que regressavam para continuar seus estudos. Entrei na casa e me achei perdido. Não sabia para onde devia ir. Alguém me deu a chave do meu quarto, mas não me disse nada. Andei para lá, para cá e acabei descobrindo o quarto. E agora? No meio da multidão, eu me achei perdido. Havia muita alegria entre os seminaristas, que se reencontravam, mas nenhum me dirigia a palavra, nem me dizia o que fazer. À certa altura, voltei ao meu quarto, arrumei alguma coisa e saí para descobrir o que devia fazer. Percebi, por conta própria, que estava na hora da comida. Vi que alguns já se sentavam ao redor de uma mesa. Eu continuava perdido e foi aí que acordei.
Este sonho tolo, desorganizado e até angustiante, depois que pude refletir sobre ele, deu-me duas grandes lições!
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A primeira lição é sobre a vaidade. Quero dizer que eu queria, no meu sonho ser notado, chamar a atenção de alguém, pois afinal era um padre e precisava de ajuda. Mas, minha decepção foi grande, pois ninguém me deu a mínima. Certamente, naquela viagem, no meio de tantos religiosos, eu devia ter sido convidado para alguma coisa, mas fiquei como um Zé Ninguém. Foi aí que minha vaidade gritou e o sonho me ensinou que não somos mesmo importantes, senão quando somos conhecidos e precisam de nós. Com todos os meus títulos e minha cultura, no meio daquele povo, eu não era ninguém. Tem razão o Livro sagrado: “Vaidade das vaidades e tudo é vaidade!” E tem razão a Imitação de Cristo, ao acrescentar: “Exceto amar a Deus e só a Ele servir”.
A segunda lição é ainda mais importante: a caridade. Falamos tanto sobre ela, sobretudo nós padres e religiosos, mas esquecemos de que ela deve ser real e se manifestar sobretudo nas coisas simples, cotidianas. Entendam o que quero dizer. No sonho, eu era um desconhecido, mas precisava de uma ajuda e ninguém se deu ao pequeno trabalho de me dirigir uma palavra de saudação, de orientação.
Falar sobre caridade é fácil e bonito, mas ela só vale quando é praticada, sobretudo nas pequenas coisas!