Coluna Religião
Procissão do Fogaréu em Marechal após 200 anos
Resgate da procissão foi lançado por comissão da Arquidiocese, na Quarta-Feira de Cinzas; evento deixou de ser realizado há 200 anos
Um resgate histórico das celebrações tradicionais do século XVII em Marechal Deodoro. É com essa proposta que o Complexo Conventual Santa Maria Madalena, administrado pela Arquidiocese de Maceió, promove nesta Quaresma, com caráter genuíno, uma programação especial com destaque para o retorno da Procissão do Fogaréu.
A Comissão da Semana Santa, formada pelo reitor e administrador do Complexo Conventual, padre Luciano Duarte, e dos fiéis da comunidade, propôs a vestimenta das tradicionais imagens de roca, preparar as decorações conforme a liturgia do dia e organizar momentos de bela devoção, a fim de fazer um resgate cultural e religioso.
Este ano a Comissão deseja continuar a resgatar essas práticas do culto religioso que fizeram parte do calendário anual da antiga Vila de Alagoas (hoje Marechal Deodoro), e que reunia pessoas de locais longínquos de toda a província, e movimentava toda a comunidade local em torno do contato com o Sagrado, do Mistério Pascal.
O objetivo é avançar o processo de resgate cultural, que foi iniciado em 2021, de forma a estabelecer uma vivência cada vez mais profunda dos mistérios da redenção. Unindo este desejo há um resgate cultural que se estenderá há médio e longo prazo em novo cenário cultural que proposita restabelecer à cidade o título de capital da Fé de Alagoas.
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O resgate da Procissão do Fogaréu foi lançado pela Comissão na Quarta-Feira de Cinzas. O evento deixou de ser realizado há 200 anos e dramatiza a prisão de Jesus Cristo. Segundo as pesquisas realizadas pela Comissão, ocorria na Quinta-Feira Santa após o Sermão do Encontro, às 23h, partindo da Igreja Matriz.
Ao som de tambores e cortejo à luz de velas pelas ruas históricas da cidade, saíam dezenas de homens encapuzados realizando hábitos de penitências. Tais homens eram chamados de farricocos e representavam a guarda judaica dos sacerdotes. Os farricocos eram fiéis católicos que se vestiam com túnicas e capuzes, e saiam às pressas pelas ruas da cidade e encenando a perseguição a Jesus Cristo. Durante o percurso, a procissão seguia a batida dos surdos que aceleravam o ritmo da caminhada desses fiéis católicos.
Além da Procissão do Fogaréu, outras atividades serão realizadas entre os dias 10 a 19 de abril. A notícia deixou a comunidade entusiasmada. “Antes de cada apresentação que eles vão realizar, eles explicam à comunidade o que é, convidam a comunidade a participar. Está sendo muito bonito ver a comunidade chegando junto”, afirma a fiel Maria Luciene.
A ministra extraordinária da Comunhão Eucarística, Heliane Gomes, também ficou emocionada com a novidade. “Quando eu vi aquela apresentação no lançamento, eu fiquei emocionada, porque eu nunca tinha visto algo assim ao vivo, só tinha visto pela televisão. É um resgate da nossa história, que é por muitos desconhecida. Eu hoje tenho 58 anos e nunca vi a Procissão do Fogaréu”, disse.