Coluna Religião
CORAÇÃO MISERICORDIOSO: COMUNIDADE FAZ 10 ANOS
Casa de acolhimento de dependentes químicos fica localizada em Paripueira, litoral norte de Alagoas, e completa dez anos de existência
Há dez anos, na cidade de Paripueira, no litoral norte de Alagoas, iniciava o trabalho da Comunidade Coração Misericordioso. Um local de acolhida que segue o exemplo do seu baluarte, São Francisco de Assis, que acolhe os visitantes em uma imagem que fica na entrada do local.
O fundador da comunidade terapêutica, Emerson França, explicou que a comunidade nasceu através da inspiração do Espírito Santo.
“Eu caminhava em uma outra comunidade que dizia assim, filho, para lidar com essa realidade é necessário ter um coração misericordioso. E senti no meu coração: Eis que iniciarás uma comunidade e ela se chamará Coração Misericordioso. A partir da inquietação de primeiro momento, eu olhei para o menino que estava a minha frente e disse que o Senhor estava falando que eu vou fundar a comunidade” relembrou.
Ele disse que Deus foi utilizando outras pessoas e, após a sua tomada de decisão, precisava saber em qual local seria fundada a comunidade. “Os jovens se perdendo nos vícios, né? Nas farras e eu preciso levantar jovens que proclamem a vida de santidade. E assim nós viemos para Paripueira, demos início, encontramos uma casinha velha, abandonada, onde só tinha mato, boa parte do telhado quebrado”.
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Os dependentes químicos são acolhidos por vontade própria e como o fundador diz: “Eles veem em busca de socorro para escreverem uma nova história”.
Foi o caso do Lucas que está há dois meses na casa. Ele nos contou sobre a rotina. “Acordamos, temos as orações matinais e o trabalho laboral”. Esse último, são atividades da casa, como arrumar a residência, tomar conta dos bichos, os trabalhos artesanais.
“É muito bom estar aqui e espero terminar todo o tratamento para sair daqui um novo homem”, disse o acolhido sobre seu futuro.
Outro exemplo é o do discípulo Gabriel, atual coordenador da casa. Ele é responsável por administrar as atividades e o seu funcionamento. “Há exatamente um ano e dois meses, eu estava em situação de rua, havia deixado a minha família e ido para o mundo das drogas, do álcool, da prostituição. Eu não tinha destino e lembro que cheguei até aqui, na verdade fui guiado até aqui. Fui perguntando as pessoas onde era a casa, até que achei”, contou.
Ele falou que dentro do seu processo de tratamento, conheceu Jesus através de um retiro espiritual que a comunidade tinha realizado. “Eu olhava assim o pessoal, todo mundo com a mão para o céu, para o alto, cantando e louvando. Eu dizia: esse povo é doido, meu Deus. E não entendia o que era isso. Mas, naquele momento, senti uma paz em meu coração e vi que naquele momento eu não tinha problemas”.
E foi nesse dia que ele foi convidado a viver uma vida de transformação. “Eu disse: mas logo eu, cara que veio da rua, não conhece nada sobre isso, que já passou por tantas coisas ruins e sendo convidado a viver essa vida. Hoje sou discípulo e minha vida se resume a viver o martírio, a obediência, a castidade e a alegria. E hoje eu vivo essa alegria, esse amor de Cristo, hoje a minha vida foi transformada, sou um novo ser, um novo homem”.