Artigo
xxxx SAUDADE DE DEUS xxxx
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Um dos sentimentos mais belos e profundos do ser humano é a saudade, pois a saudade é algo elevado, muito interior, que toma a pessoa totalmente e a leva para regiões distantes, desconhecidas e inexplicáveis.
Pela saudade, o ser humano vive o presente mergulhado no passado e é levado a pensar num futuro desconhecido. A saudade se originou no momento da criação, quando Deus fez o homem à sua imagem e semelhança. A partir daí, o ser humano começou a sentir a saudade de Deus.
Por isso, o salmista canta chorando: “Ó Deus, vós sois o meu Deus, com ardor vos procuro. Minha alma está sedenta de vós, e minha carne por vós anseia, como a terra árida e sedenta, sem água” (Sl 62, 2). E, em outro lugar, o salmista suspira: “A ti estendo as minhas mãos; a minha alma, qual terra sedenta, tem sede de ti.” (Sl 143,6).
Na verdade, Deus está no fundo de nossa alma e a saudade dele aparece claramente, quando somos encantados pela beleza e pela bondade das criaturas.
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Por natureza, pois, temos saudades de Deus, quando vemos a beleza e a grandeza finitas, embora sejam apenas figuras do eterno, do infinito, do divino. As saudades que sentimos são bivalentes, pois podem ser de coisas boas e belas e também de coisas más e feias. De Deus, porém nossas saudades não só são boas e belas, mas benéficas e transformadoras.
Por tudo isso, Santo Agostinho depois que encontrou Deus, exclamou: “Criaste-nos para vós, Senhor, e o nosso coração está irrequieto enquanto não repousa em vós.” Na verdade, sem Deus somos vazios como a corça sedenta perdida no deserto.
Assim o salmista confessava sua angústia existencial e espiritual: “Assim como a corça suspira pelas águas correntes, suspira igualmente minh’alma por vós, ó meu Deus! Minha alma tem sede de Deus e deseja o Deus vivo. Quando terei a alegria de ver a face de Deus?” (Sl 41,2-3).