ARTIGO
Pedro e Paulo
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Embora São Paulo insista constantemente que sua doutrina vinha-lhe diretamente do céu, ele só começou a pregar aos gentios após seu encontro de 15 dias com São Pedro (At 1,18). É curioso, a propósito, que no capítulo precedente, São Paulo afirma: “Ao cabo de três anos, subi a Jerusalém para avistar-me com Cefas e fiquei com ele quinze dias. Não vi nenhum apóstolo, mas somente Tiago, o irmão do Senhor” (Gal 1,18-19). Neste texto para dizer o verbo avistar-se, o autor sagrado usa o verbo “istoresai”, que significa “visitar alguém para conhecê-lo” e tratar com ele pessoalmente.
Com relação aos nomes das três colunas e dos três notáveis, nada há que destrone Pedro do seu primado. Há muita variação nos manuscritos no que diz respeito à ordem de colocação dos nomes (Tiago, Cefas e João; Tiago, Pedro e João; Pedro, Tiago e João; Tiago e João). É evidente que se trata dos dois ou três nomes dos apóstolos mais importantes em Jerusalém. O fato de o nome de Pedro ser incluído entre os notáveis e as colunas da Igreja de Jerusalém significa até que seu prestigio era por toda parte. Ademais, é preciso observar que, no capitulo 1, versículo 19, São Paulo afirma que, em Jerusalém só encontrou Pedro e Tiago, o que significa que os apóstolos já tinham se espalhado pelo mundo afora a pregar o evangelho e que somente alguns poucos estavam em Jerusalém. Examinemos, agora, outra passagem da carta aos Gálatas: “E, quando Cefas foi a Antioquia, opus-me a ele, porque era culpado...” (Gal 2,11).
Ora bem, também aqui nada aparece de contraditório ao primado de Pedro. A frase hebraica significa que Paulo opôs a Pedro uma resistência ou oposição pública pessoalmente, o que pode acontecer ainda hoje, sem nenhum demérito para o primado do Papa. O adjetivo culpado significa que Pedro era tido como culpado por alguns, mas aqui, evidentemente, trata-se de uma culpa de comportamento e não doutrinal.