ARTIGO
O véu de Verônica
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Ahistória do véu de Verônica não é narrada em nenhum dos quatro evangelhos canônicos. Essa tradição surgiu da devoção popular e foi acolhida pela Igreja com carinho, sendo inclusive incorporada como uma das estações da Via-Sacra.
Atualmente, existem dois véus atribuídos a Verônica: um se encontra na Basílica de São Pedro, no Vaticano, e o outro na cidade de Manoppello, na Itália.
O véu conservado no Vaticano é considerado o autêntico, embora esteja desgastado pelo tempo. Já o véu de Manoppello encontra-se bem preservado; sua imagem é nítida, e o tecido é feito de byssus, um material raro que não absorve pintura. A imagem pode ser vista em ambos os lados do tecido. Além disso, apresenta grande semelhança com o Santo Sudário de Turim.
Quanto à identidade da mulher chamada Verônica na tradição, há divergências entre os estudiosos, e não há consenso sobre quem ela teria sido.
O que importa, porém, nessa tradição religiosa popular não é propriamente a veracidade histórica do fato, mas a sua mensagem. É comovente e exemplar imaginar uma mulher que, em um momento tão difícil da vida de Jesus — durante sua caminhada ao Calvário —, enfrenta a multidão e os soldados romanos e, com carinho e compaixão, enxuga o rosto ensanguentado do Salvador.
Hoje, como ontem, Jesus continua tendo seu rosto simbolicamente cuspido, esbofeteado e desprezado. E, hoje como ontem, seria admirável que surgissem outras Verônicas, com a mesma coragem e o mesmo amor da mulher de Jerusalém, dispostas a enxugar a face do nosso Salvador.