ARTIGO
Não tenhais medo
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O medo é um sentimento inato e profundamente natural no ser humano. Desde os primórdios, ele atua como um mecanismo de defesa essencial para a nossa sobrevivência, alertando-nos diante dos perigos e preservando a nossa integridade. Não há fraqueza em senti-lo; o medo faz parte daquilo que nos torna humanos.
No entanto, a grande sabedoria da vida não reside na ausência do medo, mas, sim, na forma como escolhemos lidar com ele. O medo é uma força que pode nos paralisar ou, se bem canalizada, ser usada para o bem, impulsionando-nos a agir com prudência, respeito, discernimento e responsabilidade diante das adversidades.
É por isso que, na espiritualidade e nas Sagradas Escrituras, o tema é recorrente. A expressão "Não tenhas medo" (ou "Não temais") ecoa na Bíblia muitíssimas vezes, surgindo quase como um refrão divino para a humanidade em momentos de grande provação e incerteza.
O medo pode ser real ou imaginário. Pode ser físico ou psicológico. Não devemos enfrentá-lo de imediato; é necessário refletir e acalmar-se antes de qualquer reação. Respirar e esperar a adrenalina baixar é muito aconselhável. Mas é a nossa conexão com Deus que nos dará a melhor forma de lidar com os nossos medos.
Quando Jesus nos diz: "Não tenhais medo" (Mateus 10,26), Ele não está desconsiderando a nossa natureza ou ordenando que apaguemos nossas emoções. Pelo contrário, Ele reconhece a existência do medo, mas nos convida a dar um passo além. É um chamado para que a nossa fé e a nossa confiança em algo maior sejam sempre soberanas em relação aos nossos receios. Vencer o medo não significa erradicá-lo, mas, sim, caminhar com coragem, sabendo que não estamos sós.