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Economia

O crescente grupo de superendividados

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Faturas dos cartões de crédito, boletos bancários, prestação da casa, do carro, dos móveis, da televisão de última geração, da geladeira comprada para aproveitar a promoção, parcela do empréstimo consignado em folha, juros do cheque especial, mensalidade escolar, supermercado, conta de luz, água, energia, gastos, gastos e gastos. Alguns inevitáveis, outros, nem tanto; alguns a curto prazo, outros a perder de vista. As muitas facilidades de crédito nas operações financeiras e de consumo, comemoradas, inicialmente, como uma grande conquista para as classes de menor poder aquisitivo, vêm, de uns tempos para cá, disparando sinais de alerta, com o aumento expressivo do número de consumidores endividados e com os valores cada vez mais altos de dívidas acumuladas, que se tornam quase impagáveis. Procon vai mediar acordo entre credor e superendividado O trabalho com o consumidor superendividado, segundo o diretor geral do Procon/AL, Rodrigo Cunha, começa com um curso de orientação financeira e deve culminar numa negociação dos débitos para, posteriormente, haver a reabilitação do devedor e sua reinserção no mercado, mas já dentro de um perfil de consumo consciente. Isso envolve muito mais do que uma conversa com o Procon ou uma negociação unilateral. Segundo Rodrigo, é muito importante a boa vontade, também, dos credores, que na maioria dos casos, são muitos. Para isto, e já como parte do trabalho do Núcleo, esta semana o Procon reuniu todos os bancos e instituições financeiras que atuam em Alagoas ? participaram cerca de 50 instituições, inclusive com representantes de outros Estados ? dando início a um trabalho de sensibilização em relação à concessão responsável de crédito. ?Será um serviço de utilidade pública de grande relevância. E o trabalho já começou?, anuncia Rodrigo. Crédito fácil pode se tornar armadilha para consumidor Especialistas em economia, crédito e consumo defendem as facilidades de crédito como uma forma de democratizar o acesso das classes menos endinheiradas ao mercado consumidor e movimentar a economia. ?A facilidade de crédito é fundamental. É o azeite que faz a economia funcionar? diz o consultor econômico Fábio Guedes Gomes, professor do curso de Economia da Ufal. Mas não há dúvidas de que que essas mesmas facilidades podem favorecer, também, o desequilíbrio nas finanças domésticas, se não houver controle nos gastos. No entanto, o erro num processo de superendividamento, na avaliação do Procon, não pode ser creditado apenas ao consumidor. As empresas, muitas vezes, concedem créditos sem o menor critério; sem avaliar, de forma responsável, a capacidade de endividamento do cliente. Dívidas podem levar à depressão Débitos, quase todo mundo tem. No mundo moderno, é difícil alguém que não deve a prestação da casa ou do carro, as parceladas da geladeira, do sofá ou do fogão, comprados em 12 vezes no cartão de crédito, ou do empréstimo ?gentilmente? oferecido por alguma instituição financeira ou de crédito. Ou, o que é pior, tudo isso junto. Grave, mesmo, é quando o devedor compromete todo o seu salário para pagar contas, perde a capacidade de honrar seus pagamentos, contrai empréstimos para cobrir as dívidas, transforma os valores limites do cheque especial e dos cartões de crédito em suposta renda e, sem condições de pagar, vê as dívidas crescerem feito bola de neve, com o acréscimo de juros sobre juros, transformando-se de devedor em superendividado. Na avaliação do Procon Alagoas, os principais sintomas desse mal aparecem quando as dívidas a pagar ultrapassam a faixa de 50% da renda mensal; quando o salário termina, sempre, antes de terminar o mês; quando aparece aquela necessidade de ter que aumentar a carga de trabalho para conseguir pagar as contas; quando é preciso pedir dinheiro emprestado para pagar as obrigações mensais fixas; quando os atrasos nos pagamentos começam a se tornar frequentes.

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