Economia
Setembro inicia ciclo din�mico em AL
O mês de setembro chegou e com ele a movimentação de setores importantes da economia alagoana, abrindo um ciclo dinâmico onde a produção aumenta, gerando novas oportunidades de trabalho, que impulsionam a circulação de dinheiro, que gera mais emprego, mais possibilidades para gerar renda, e mais negócios. Sem sombra de dúvidas, o último quadrimestre do ano é o mais promissor para a economia do Estado, por uma combinação de motivos positivos: É o final do período chuvoso, que esfria, de março a agosto, setores como o turismo; é o início da moagem da safra de cana-de-açúcar nas usinas alagoanas, gerando dezenas de milhares de postos de trabalho; e é tempo de reaquecer as vendas no comércio, repor estoques e preparar as contratações para a temporada de final de ano. Mesmo na construção civil, segmento que já vem aquecido nos últimos anos, alheio aos efeitos da sazonalidade, a expectativa é de que, o que já está bom, fique ainda melhor. É nesse período do ano que a maioria das pessoas toma decisões relacionadas à construção e reforma da casa própria, e é também o tempo em que as construtoras precisam acelerar o ritmo das obras para obedecer aos prazos de entrega definidos para o final do ano, e para isso, as contratações são ainda mais intensificadas. Setor produtivo aposta em crescimento superior a 10% Em todos os principais setores produtivos de Alagoas, os olhares são otimistas em relação aos números que se desenham de agora em diante, com perspectivas de crescimento que em alguns segmentos ultrapassam a casa dos 10%. ?No final do ano passado, ainda vivíamos os efeitos retardados da crise internacional de 2008, cujos desdobramentos ainda eram temas na área econômica e financeira. Este ano, não. O Brasil deverá crescer em torno de 7% e o Nordeste é a área mais dinâmica da economia nacional?, diz Cícero Péricles. Ele cita informes do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e da consultora Datamétrica, que mostram que o desempenho dos estados nordestinos coincide nas expectativas. ?Alagoas também terá crescimento positivo, resultado de uma combinação entre os recursos federais, que são maiores que os do ano passado, e um melhor desempenho da economia. A safra da cana deverá ser 10% maior que a do ano passado?, observa ele. Produção de açúcar deve superar em 14% a safra passada O início da safra da cana, que ocorre, normalmente, no mês de setembro, é o pontapé inicial para a movimentação econômica que ocorre no último quadrimestre do ano, em Alagoas, e não só pelo grande volume de açúcar produzido para exportação, mas, sobretudo, pelo número de pessoas que emprega, e cujos salários se revertem numa respeitável dose de recursos injetados na economia, movimentando, principalmente, a rede de comércio e serviços, sobretudo nas cidades onde estão instalados os parques industriais. Alagoas é o maior produtor de cana do Nordeste, e até hoje o beneficiamento dessa cultura para a produção do açúcar e do álcool constitui, no segmento industrial, a mais importante fonte geradora de empregos e de circulação de renda, sobretudo no interior do Estado. Vendas no comércio serão crescentes Embora não tenha nenhuma data simbólica para o comércio, o mês de setembro traz sempre os primeiros sinais de bonanças que se anunciam para os meses seguintes, a partir do início da moagem nas usinas. ?Hoje, há uma diversificação maior na economia, e a gente não depende tanto quanto antes do setor sucroalcooleiro para garantir as vendas, mas ele continua sendo muito importante para incrementá-las?, observa o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Maceió, Wilson Barreto. É também nesse período que reduz a mendicância no centro das cidades, porque o homem do campo, desempregado na entressafra, volta para o corte da cana e recupera seu poder de compra por meio do salário. Turismo tenta repetir índice de 2009 No turismo o clima também é de animação, e as praias lotadas, no feriado da independência, já deu o tom do verão que se antecipa, e que sempre traz com ele turistas de todas as partes do Brasil e do mundo, ávidos por sol e mar. Mas em decorrência dos estragos que as imagens do estado destruído pelas enchentes fizeram pelo mundo a fora, o setor define o momento como ?de curiosidade? em relação ao comportamento turístico da próxima temporada. ?Estamos apreensivos. Em Santa Catarina, quando ocorreu tragédia semelhante, os reflexos foram sentidos durante um ano. Mas torcendo para que haja o aquecimento que era esperado. A temporada pode ser promissora. Estamos trabalhando para, no mínimo, repetir o desempenho do ano passado, mas acreditamos que podemos ter um crescimento de cerca de 10%?, diz o empresário Carlos Gatto, presidente, em Alagoas, da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH). Livro explica trajetória da economia alagoana Como funciona a economia alagoana? Qual o peso das transferências federais na vida do Estado? O que mudou ou está mudando em Alagoas? Estes são os temas do livro Economia popular: uma via de modernização para Alagoas, do economista e professor da Universidade Federal de Alagoas, Cícero Péricles de Carvalho, lançado este mês, pela Edufal, em 4ª edição atualizada e ampliada. Ilustrado com mais de 70 tabelas e gráficos que facilitam a compreensão do leitor, o livro é pródigo em dados sobre a dinâmica da economia alagoana, focando em duas fases distintas, antes e depois da estagnação econômica que marcou as décadas de 80 e 90.