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O sustento que vem da castanha-de-caju

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Olho d?Água das Flores ? A instalação de uma fábrica para beneficiamento da castanha-de-caju no chão árido de terra batida em pleno Sertão alagoano sempre pareceu algo impossível de ser concretizado no pensamento da agricultora Vera Maria dos Santos Silva, 47. Com toda uma vida dedicada à lida com a terra, ela ? assim como muitos outros sertanejos acostumados a ouvir de tempos em tempos propostas de redenção econômica e social que nunca saíram do papel ? duvidou que mais esta ideia, levada adiante por homens do campo que pouco entendem de negócios, fosse adiante. Agora, como miragem, mas de fato fruto do empenho e trabalho de agricultores como Vera Maria, e de parcerias com instituições diversas, o sonho virou realidade. E quem adentrar pelas estradas de barro e seguir da cidade de Olho d?Água das Flores até o Sítio Areia Branca, que fica após o povoado Pedrão, zona rural do município, vai se deparar com a pequena indústria de beneficiamento de castanha ? ou amêndoa ? de caju que é o orgulho dos integrantes da Associação dos Cajucultores de Olho d?Água das Flores. Receita de sucesso: trabalho e parcerias Os produtores de caju do Sertão alagoano mostraram que implantar uma indústria em plena zona rural da região não depende de ?milagre?. Muito menos de grandes investimentos para impulsionar o desenvolvimento econômico e social de determinado lugar. A primeira fábrica de beneficiamento de castanha da região custou empenho, suor e apenas R$ 43 mil. Uma bagatela para o impacto positivo que a iniciativa causou na região, que registra um alto índice de migração de jovens que saem do aconchego da família para buscar trabalho e dias melhores nas cidades grandes. Ao ser indagado sobre a fórmula do sucesso da pequena indústria, o diretor-financeiro da Associação dos Cajucultores, Luiz Vitoriano, o ?Belo?, explica que tudo o que está acontecendo é fruto de um longo processo de confiança, trabalho e parcerias. Desconfiança dá lugar à oportunidade no Sertão A desconfiança já não tem mais lugar entre os produtores associados e moradores das redondezas do Sítio Areia Branca. Confiante na produção de caju e no beneficiamento do principal produto do fruto ? a castanha ? a agricultora Vera Maria, ao contrário de 3 anos atrás, faz planos para o futuro enquanto vê a vida mudar no presente. ?Trabalho na roça desde os nove anos e nunca tive oportunidade de fazer outra coisa na vida. Agora, com a indústria, dá gosto sair de casa para trabalhar. Gosto da agricultura, mas é muito cansativo e já não tenho mais a mesma força de antes. Aqui é bom porque trabalho na sombra, sento quanto quero e trabalho para desenvolver algo que também me pertence?, diz Vera enquanto limpa castanhas que serão processadas e ao justificar que com empenho de fato ?tudo pode sair do papel?. ?Sempre digo que esta fábrica é um sonho que virou realidade. E o melhor é que ela transformou a vida de quem vive aqui. Nestes três anos de trabalho aproveitei os ganhos para reformar a casa e até comprar algumas coisas que sempre tive vontade. Como uma geladeira nova e outros eletros?, revela.

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