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Transnordestina contorna Macei� por Rio Largo

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ROBERTO VILANOVA Alagoas não ficará de fora do traçado da ferrovia Transnordestina, mas o novo corredor de cargas excluiu o porto de Maceió - a linha férrea no Estado passará pelo distrito de Lourenço de Albuquerque, em Rio Largo. A inclusão de Alagoas é um imperativo da pauta de cargas projetadas para a nova ferrovia e que incluem o álcool e a argila da beira do Rio São Francisco. O projeto da ferrovia utiliza a linha já existente nos Estados de Alagoas, Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Sergipe, Bahia, Piauí e Maranhão. Dos mais de 4 mil quilômetros de linha férrea que compõem a Transnordestina, na verdade apenas serão implantados 400 quilômetros, permitindo a ligação entre o Sertão do Araripe, onde se encontra instalado o pólo gesseiro pernambucano, e a cidade de Crateús, no Ceará. Interrompido A ferrovia Transnordestina conta com financiamento do governo de Pernambuco e da iniciativa privada (empresários do pólo gesseiro). Além de se cotizarem com cerca de 120 mil dólares cada um, para a construção do trecho até Crateús, eles se comprometeram a participar do consórcio para manter 900 quilômetros de linha entre o sertão de Pernambuco e o Ceará. Apenas os Estados de Pernambuco, Ceará e a Bahia estão engajados no projeto, o que significa dizer, vão controlar a nova ferrovia ? até porque possuem maior peso na pauta de cargas. A Companhia Ferroviária do Nor-deste ? CFN ? que arrematou a Rede Ferroviária Federal, será a operadora, atuando em conjunto com a Ferrovia do Atlântico ( Bahia e Sergipe), para integração do projeto que liga o chamado Nordeste Setentrional ( sertões do Ceará, de Pernambuco, da Bahia, do Rio Grande do Norte e da Paraíba) com os portos das principais capitais nordestinas ? Recife, Salvador e Fortaleza. A situação de Alagoas é complicada porque o tráfego ferroviário está interrompido há mais de dois anos a partir de Rio Largo, na direção de Recife e Aracaju. E o Estado não foi alijado do traçado da nova ferrovia, devido à necessidade da indústria de cerâmica de Recife, que importa a argila da beira do Rio São Francisco, em Propriá-SE. A linha até Recife passa pelo agreste e a zona da mata alagoana, até Rio Largo, e daí para União dos Palmares, São José da Laje e, a partir daí, Pernambuco, na divisa férrea. A direção da CFN acredita que no máximo até meados do ano que vem todo o trecho danificado em Alagoas, com as chuvas e as cheias de rios, estará recuperado. No levantamento apresentado no começo do ano, a CFN estimou em 40 milhões de reais o custo do reparo da linha férrea, mas o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social ? BNDES ? se recusa a liberar o dinheiro, alegando que a empresa não cumpriu com a cláusula contratual determinando a imediata recuperação da linha férrea arrematada. Pauta de mercadorias O trem de argila circulava duas vezes por semana, transportando uma média de 900 mil quilos de matéria-prima para a indústria de cerâmica instalada em Recife. A interrupção do transporte ferroviário causou sérios prejuízos para os industriais pernambucanos, obrigados a transportar a argila de caminhão, pagando frete 100% superior ao ferroviário. Além disso, devido à paralisação dos serviços, a CFN foi obrigada a dispensar trabalhadores e a transportar para Recife, por rodovia, as locomotivas que estavam em Maceió. Na pauta das mercadorias a serem transportadas pela nova ferrovia, Alagoas participa apenas com dois itens: álcool (grupo João Lyra), transportado para o Ceará, e argila, que é retirada e embarcada em Propriá, do lado sergipano, mas é transportada por Alagoas até a divisa férrea com Pernambuco. A previsão é de que serão transportadas um milhão de toneladas por mês, entre sal do Rio Grande do Norte; gesso e frutas de Pernambuco; cimento da Paraíba, laranja de Sergipe, cerveja e automóveis da Bahia, além de açúcar. Fundamental A ferrovia Transnordestina está sendo discutida, hoje, como prioritária devido à redução do custo do frete, economia que é duplicada, considerando-se o volume de cargas transportadas de uma só vez. Para colocar o projeto em prática é necessário que o governo federal, através do BNDES, se comprometa a liberar no prazo os recursos prometidos e que chegam a 100 milhões de dólares. Mas é fundamental o papel desempenhado até agora pelo governo de Pernambuco, que deu continuidade ao trabalho desenvolvido por seus antecessores e ampliou o apoio ao empreendimento. A nova ferrovia deverá ficar pronta em 2005.

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