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Economia

Uma avenida que virou com�rcio

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Ocupada, inicialmente, entre as décadas de 1920 e 1930, por grandes sítios, onde comerciantes e integrantes da elite econômica da cidade, construíam seus bangalôs, em busca de sossego, a Avenida Fernandes Lima mudou completamente o seu perfil, ao longo das décadas. E não foi apenas por ter se tornado a espinha dorsal de Maceió, dando sustentação ao trânsito que flui para os diversos bairros altos e baixos da cidade, e ligando a vários Estados e municípios. Mas também pela mudança radical, da área residencial de outrora, para um perfil meramente comercial. Em todo a sua extensão, da Praça do Centenário até o Hiper Bompreço, em frente ao Horto Florestal do Ibama, o único prédio residencial existente está no começo da avenida, no condomínio Benedito Bentes. No percurso inverso, apenas uma casa imprensada entre a Escola de Enfermagem Santa Bárbara e a Casa da Indústria, resiste à transformação, e mantém seu estilo bucólico, com recuo e ares de sítio. Mas seu aspecto de abandono ajuda a explicar essa ?resistência?. Avenida ?vê? multiplicação de supermercados e bancos Se para o trânsito a Avenida Fernandes Lima se transformou na espinha dorsal de Maceió, do ponto de vista econômico ela é como uma a veia aorta, a principal artéria por onde circula, diariamente, a economia do município. A SMTT calcula que nos horários de pico chegam a circular na avenida cerca de quatro mil veículos por pista, subindo ou descendo, dependendo do fluxo que o horário requer. E nesse vai e vem, vão passando, no trânsito da avenida, ônibus, carros de passeio, carretas, caminhões, motos, bicicletas e até carroças, que transportam trabalhadores no deslocamento de casa para o trabalho, empresários, insumos, equipamentos, alimentos, produtos e mercadorias que movimentam a economia, abastecendo e escoando o extenso comércio instalado ao longo das avenidas Fernandes Lima e Durval de Góes Monteiro. No caminho de casa, uma loja No Jardim do Horto, convivem como bons vizinhos, o Extra e o Hiper Bompreço. Bom para o consumidor, que pode comparar preços sem ter que andar muito entre uma loja e outra. No Tabuleiro, em frente ao Makro, que delimitou seu espaço há mais de uma década, na avenida Durval de Góes Monteiro, instalou-se a Loja Tupan, que disputa clientela no ramo de material de construção, com a Carajás, localizada mais adiante. E como se quisesse bater o martelo sobre a vocação comercial dessas duas artérias, o Atacadão (da rede Carrefour), implantou seus domínios no último ponto da avenida Durval de Góes Monteiro, em frente à Polícia Rodoviária Federal, do mesmo lado em que estão instalados todos os supermercados das duas avenidas. De área bucólica ao caos de quatro mil veículos por pista De acordo com o historiador Douglas Apratto, a Avenida Fernandes Lima surgiu a partir de um movimento natural de ocupação da parte alta da cidade, entre as décadas de 1920 e 1930, por famílias abastadas, em busca de sossego, longe do agito do Centro, Bebedouro e Jaraguá. A maioria desses ocupantes eram comerciantes, que moravam no Centro, no mesmo prédio onde funcionava seu estabelecimento comercial ? nos antigos sobrados ? e ansiavam por espaço onde pudessem descansar nos finais de semana. O Alto do Jacutinga ? depois denominado Farol ? era uma área desabitada, e foi a região escolhida para esse movimento do início do século, começando pelas áreas mais próximas do Centro, onde se concentravam o comércio lojista (atacado e varejo), escritórios, consultórios, repartições públicas, hotéis e habitações diversas. ?Era uma área bucólica. Só tinha os sítios onde as residências foram sendo construídas. O bonde só chegava até o descampado, onde hoje é a Praça do Centenário e pouquíssimas pessoas tinham um carro. Dava até para saber quem vinha, quando o carro aparecia na curva da Centenário?, lembra o engenheiro Vinícius Maia Nobre. Projetos tentam reduzir tráfego ?Quem cresceu como eu, moleque jogando futebol na Fernandes Lima, ao transitá-la hoje em dia fica imaginando e buscando solução para resolver o caos que vez em quando nela se instala?, diz o engenheiro Vinícius Maia Nobre. Segundo ele, o perfil do bairro é típico de quem se desenvolveu de forma aleatória, ao sabor de interesses pessoais e de grupos econômicos, sem planejamento. Para o engenheiro, disciplinar em horário noturno, o trânsito com caminhões de carga, poderia ser uma saída. ?Mas como fazer, se no seu entorno predomina o comércio? E o que fazer das paradas dos coletivos??, indaga ele. Para a SMTT, a saída com a construção do eixo viário do Reginaldo, vai aliviar o trânsito em pelo menos 30% na avenida. Pavimentação mudou perfil do Farol Foi entre o final da década de 60 e princípio dos anos 70, que o engenheiro pernambucano Luiz Varejão, à frente do Distrito do DNER em Alagoas, iniciou a obra das duas pistas atuais, já divididas pelo canteiro central, e com o plantio das mudas que cresceram em toda a sua extensão, uma visão de futuro, principalmente em relação à questão ambiental. ?A pavimentação dessa pista, sem dúvida alguma, foi fator de transformações mais acentuadas no Farol. Bebedouro perdeu a exclusividade do tráfego para o interior. O Farol, por meio da Fernandes Lima, transformou-se na saída e entrada preferencial; e daí ter crescido o interesse comercial pela região por ela atravessada?, diz Vinícius Maia Nobre.

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