loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Economia

Economia

Feiras livres se consolidam em bairros de Macei�

Ouvir
Compartilhar

Elas crescem como aglomerados comerciais, atendendo às demandas das comunidades periféricas, sobretudo em relação ao suprimento de gêneros alimentícios. Garantem ocupação e renda para uma parcela considerável da população que não encontrou espaço no mercado formal de trabalho. E acabam atraindo novos negócios, impulsionando o desenvolvimento de centros comerciais no seu entorno. Na capital e no interior, quem nunca assistiu ao montar e desmontar das feiras livres que ocupam o espaço público pelo menos uma vez por semana? Em alguns lugares, elas costumam acontecer aos sábados ou domingos, e constituem o principal polo de comercialização de produtos naturais. Os feirantes chegam de véspera, montam suas bancas de madeira e, mal amanhece o dia, lá está o movimento, num frenético vai e vem de clientes, carregadores e vendedores, movimentando a economia local. Repasses do Bolsa Família fortaleceram negócios No desenrolar dos estudos sobre as feiras livres de Maceió, iniciados em 2007, com pesquisa e análise de dados da feira do Jacintinho, os pesquisadores Jarpa Aranimis Ventura, Anderson Henrique dos Santos, Camila Ribeiro Cardoso, Ádamo Vilela, Célio Cabral e Adriano Vieira, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (Feac), mostram aspectos comuns entre as principais feiras livres de Maceió, o principal deles, que esse comércio ? com raras exceções ? vem experimentando um movimento ascendente nos últimos anos. Algumas chegaram a dobrar de tamanho e movimento, e boa parte dessa performance é atribuída pelos pesquisadores aos programas de transferência de renda do governo federal, como o Bolsa Família, que proporcionaram um mínimo de poder de compra a camadas sociais antes excluídas desse processo. Em Bebedouro, feira agoniza e perde importância No quesito crescimento, a exceção vai para a Feira de Bebedouro que, segundo os pesquisadores que desenvolveram o estudo sobre feiras livres, ao contrário das outras feiras, que apresentam movimento ascendente, vem dando sinais de decadência. Na avaliação do pesquisador Adriano Vieira, a explosão demográfica e urbana ocorrida na cidade trouxe reflexos na Feira de Bebedouro, cujo grau de importância sempre foi relacionado à localização geográfica. E como as vias de acesso por Bebedouro perderam o caráter de centralização, a partir da expansão urbana e abertura de outra vias, essa importância também deixou de existir. Além disso, ?a feira perdeu espaço econômico para as grandes redes varejistas, diminuindo os lucros dos feirantes, fazendo com que alguns deles abandonassem a atividade?, diz ele. Feirantes começam a receber cartão Nas feiras livres, de tudo se encontra (ou quase tudo): farinha, macaxeira, jerimum, inhame, feijão verde, miúdos, manjuba, carne seca, queijo do Sertão, pimenta-do-reino e malagueta, laranja, banana, melancia, abacaxi. Seja nos bairros da capital ou nos municípios do interior, as feiras livres cumprem papel significativo na dinâmica da economia popular. Seja na Jatiúca, no Tabuleiro ou no Jacintinho, o aspecto é basicamente o mesmo, misturando variedade, preço baixo e atendimento personalizado e sem fila, que permite ao cliente até barganhar descontos no pagamento, que geralmente é feito à vista. São raros os feirantes que já oferecem a possibilidade de pagamento com cartão de crédito, mas eles já existem. Para manter o cliente fiel é preciso ter o melhor produto No registro de nascimento, ela é Maria Cícera Pereira, mas para a clientela da Feirinha da Jatiúca, onde trabalha há dez anos, vendendo frutas e verduras, ela é a Cida, e é na sua barraca que a comerciante Bárbara Tengue, abastece o seu pequeno restaurante. ?Quando lá pega fogo, corro para cá para comprar o que preciso?, diz ela, empurrando o carrinho de compras cheio de mantimentos. O que a faz procurar a feirinha, além da proximidade, não é apenas o preço, que nem sempre está mais baixo do que as promoções dos supermercados, mas a atenção com que é tratada pelos feirantes. ?Aqui nós nos tratamos pelo nome?, diz ela. É assim que o feirante Nildo Barbosa mantém clientes que o acompanham durante os dez anos que trabalha na feirinha, desde que saiu de Arapiraca para a capital. Vive nessa vida desde os 15 anos, quando já acompanhava seu pai comercializando mercadorias nas feiras do interior. Quando chegou, os feirantes vendiam seus produtos no espaço onde funcionava o antigo Balaio, e onde eles sonhavam em voltar a se instalar, por alguma ação organizativa do poder público municipal. Feirantes relatam paixão pelo trabalho Os melhores dias para fazer negócios, segundo o feirante Nildo Barbosa, são sempre no fim de semana, a partir da sexta-feira, seguindo a tradição das feiras, que antigamente e ainda hoje funcionavam com mais força nos fins de semana. ?A maioria vem a partir de sexta-feira?, diz dona Janete Pereira, 51 anos de idade, uma das mais antigas da feirinha da Jatiúca. Morava em Palmeira dos Índios, e trabalha na feira ?desde que me entendo de gente?. Ao seu redor, quase todos atendem pelo mesmo sobrenome. ?É quase tudo de uma mesma família?, diz ela. Janete veio no encalço de dona Fátima Pereira, que trabalhava nas feiras do interior, e um dia veio com a filha a Maceió a passeio. Gostou tanto do local que resolveu ficar. Mandou avisar ao marido, que chegou depois, com a mudança.

Relacionadas