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Economia

Governo quer enxugar economia em R$ 61 bi

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Os setores produtivos, mais precisamente o comércio de bens e serviços, estão apreensivos. Na semana passada o governo federal anunciou uma série de medidas com o objetivo de manter a inflação sob controle, e algumas delas acabam com as facilidades de crédito que vinham fazendo a festa do consumo nos últimos meses. As medidas já estão valendo. Desde a última segunda-feira (6), ficou proibido o financiamento de carros sem uma entrada mínima. O objetivo é, exatamente, limitar o crédito que estimula o consumo e impulsiona o ritmo de crescimento da economia, gerando demandas que podem despertar o dragão da inflação. A partir da próxima segunda-feira (13), também será aumentado o valor compulsório que os bancos repassam ao Banco Central (BC), referente a parte dos recursos captados dos seus clientes nos depósitos à vista, a prazo ou de poupança, e vai exigir que os bancos reservem um percentual maior do seu patrimônio, como garantia para empréstimos mais longos (superiores a 24 meses no crédito ao consumo e a 36 meses no crédito consignado). Setores de bens duráveis serão os mais afetados Para o economista Pedro Raffy Vartanian, professor de Economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, os setores mais prejudicados com as medidas de contenção da economia são os que atuam com bens duráveis de consumo, que dependem de crédito, como automóveis e a linha branca. Mas ele observa que não será tão difícil conviver com as medidas. ?A economia aquecida já beneficia com aumento de renda, que acaba compensando a redução de crédito. Mesmo as classes C e D, que muito se beneficiam com crédito, foram as que mais tiveram aumento de renda e não sentirão tanto?, diz Vartanian. Ele também não acredita que haja prejuízos às vendas de fim de ano. ?Já existe a cultura de consumo nessa época do ano. Creio que se tiver algum efeito, será o mínimo possível?, diz ele. Infraestrutura para grandes eventos aquece construção ?Quem se planejou para comprar um carro, certamente não vai desistir. Talvez faça um reajuste na projeção de financiamento, ou espere um pouco para dar uma entrada maior, mas vai comprar. As revendas vão sentir um pouco, mas isso não significa que vão parar de crescer?, diz Marcos Calheiros. Assim também é a construção civil que, na sua opinião, vai continuar crescendo, até porque o País vai precisar de estradas, estádios, infraestrutura para grandes eventos que virão por aí, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Ele cita, também, outros setores que, independente das medidas, vão continuar crescendo, como a indústria naval, que terá de atender às demandas do boom do petróleo que, por sua vez, vai continuar gerando uma quantidade imensa de empregos, alimentando o ciclo da economia. Inflação sob controle é condição ímpar Se por um lado as medidas preocupam os setores produtivos, por outro, especialistas em economia as consideram inevitáveis, para manter a inflação sob controle. ?O crescimento da inflação prejudicaria muito mais, sobretudo as classes menos favorecida, que não têm condições de fazer reservas financeiras?, diz o economista Pedro Vartanian. Na avaliação de Marcos Calheiros, do Sindicato dos Economistas de Alagoas, a medida tinha de ser tomada, e veio na hora certa. Ele destaca que o crescimento de 7,5% (como vem se consolidando este ano) é arriscado para a economia brasileira e sua meta inflacionária de 4,5% ao ano. ?O País não tem infraestrutura para suportar um crescimento acima de 5,5% ao ano, como está acontecendo?, diz ele.

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