Economia
Infla��o pressionada por alimentos
A mais recente pesquisa do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), realizada pela Secretaria de Planejamento do Estado de Alagoas (Seplan) ? divulgada no último dia 10 ? confirma o que os consumidores maceioenses já sentem no bolso: está mais caro fazer a feirinha no supermercado. A cesta básica fechou o mês de novembro em alta de 1,08%. De uma maneira geral, o custo de vida também ficou um pouquinho mais caro: 0,50% em relação a outubro, que também registrou aumento de 0,99% em relação a setembro, que também foi maior que agosto. Parece pouco, mas não é. ?É uma variação altíssima, sobretudo quando se fala numa meta de inflação anual de 4,5%?, diz o coordenador do IPC, Gilvan Sinésio. No mês de outubro, o item alimentação teve o maior peso na tabela de variação do custo de vida; em novembro, ficou em segundo lugar, perdendo apenas para o grupo fumo e bebidas, que sempre atinge picos neste período, em relação a outros grupos, em função das comemorações de fim de ano. Os outros grupos que no mês passado empurraram o custo de vida para cima foram habitação e vestuário, com variações positivas de 0,51% e 0,46%, respectivamente. Valor de cesta básica já beira os R$ 200 em Maceió A pesquisa do Índice de Preço ao Consumidor (IPC) da Secretaria estadual de Planejamento trabalha a variação de preços dos bens e de serviços que atendem à população, distribuídos em nove grupos distintos: alimentação, habitação, artigos diversos, despesas pessoais, fumo e bebidas, vestuário, transportes, saúde, e educação. O grupo alimentação, constituído por doze subgrupos identificados como ? legumes, frutas, verduras, cereais, panificados, pescados, carnes, vísceras, tubérculos, produtos industrializados, alimentação fora do domicílio, e leite e ovos ? representa quase a metade das despesas mensais de uma pessoa que ganha um salário mínimo. Ele tem uma participação de 48,57% no orçamento doméstico, segundo Pesquisa de Orçamento Familiar (POF-AL). Pela pesquisa do IPC, em setembro, a Cesta Básica Alimentar (CBA) custava 184,97. Em outubro, ela consumiu R$ 194,41 e, pelo IPC de novembro, já chegou a R$ 199,94. Ou seja, houve um aumento de R$ 14,97 na média de gastos com a CBA, entre os meses de setembro e novembro. Consumidor vai atrás das promoções De acordo com a Lei Federal n° 399/38, que criou o salário mínimo nacional, a ração mínima de alimentos para uma pessoa, durante um mês, soma 4,5 kg de carne, 6 litros de leite, 4,5 kg de feijão, 3,6 kg de arroz, 3 kg de farinha de mandioca, 12 kg de tomate, 6 kg de pão, 300g de café, 7,5 dúzias de banana, 3 kg de açúcar, 700 ml de óleo e 750g de manteiga. Isso constitui a Cesta Básica Alimentar. De acordo com a pesquisa do IPC, em setembro, o consumidor gastou, em média, 36,27% do salário mínimo com a ração básica alimentar; em outubro, 39,12% e em novembro, teve que gastar 39,20% do salário mínimo. ALTERNATIVAS Emerson Henrique é insistente, recolhe os panfletos, compara, visita supermercados, faz pesquisa e reserva um bom tempo para fazer a feira olhando cada preço com cuidado. E diz que faz questão de cada centavo do produto anunciado. ?Se eles anunciam o arroz por R$ 1,57, não vou levar por R$ 1,59. No final, isso faz diferença, sim?, diz ele. Outra coisa que costuma fazer é comparar os preços com a feira passada. ?E eu memorizo tudo. No mês passado, comprei o leite Muu por R$ 1,90. Este mês estava por R$ 2,20. Optei por outra marca, que estava mais barata. O extrato de tomate, não aumentou, mas a batatinha, que comprei em outubro a R$ 1,00 o quilo, agora se apresenta ?em oferta?, por R$ 2,95?, mostra ele. E se todos os cuidados e estratégias não surtirem o efeito na hora de pagar a conta, o jeito é cortar ou diminuir em alguns produtos, substituir por outros ou esperar os preços de promoção. ?O que não dá é ficar pagando mais caro todos os meses, quando o salário só aumenta uma vez por ano?, resume Emerson Henrique. |FA