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Pre�os mundiais de alimentos preocupam

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São Paulo, SP ? Há pouco mais de dois anos os preços mundiais dos alimentos tocaram um nível recorde, impulsionados por um descompasso entre oferta e demanda e por um maior fluxo de investimentos direcionado ao mercado de commodities. A explosão da crise financeira alterou esse cenário, esfriando o consumo e deixando a comida mais barata. Em 2010, no entanto, o custo dos alimentos voltou a crescer, atingindo níveis preocupantes. O índice de preços de alimentos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), que monitora cereais, carnes, laticínios e outros produtos, subiu ininterruptamente desde julho deste ano e em novembro tocou 205,4 pontos. Em junho de 2008, quando atingiu patamar recorde, esse mesmo índice estava em 213,5 pontos. Naquela época, várias manifestações ? algumas delas violentas ? ocorreram em diversos países, especialmente nos mais pobres e em regiões que precisavam importar comida, refletindo a indignação da população com o aumento no custo de vida. Produção de trigo eleva custos O aumento no custo dos alimentos neste ano foi provocado inicialmente por problemas com a produção de trigo, particularmente nos países da antiga União Soviética, com Rússia e Cazaquistão sendo atingidos por secas rigorosas que tornaram as estimativas para a colheita menos promissoras do que se esperava. Diante do prognóstico pouco favorável, o governo russo anunciou em agosto restrições às exportações do cereal, gerando mais preocupações com a oferta e ajudando a elevar os preços. Em novembro, esse movimento de alta foi acentuado pela desvalorização do dólar. Nos mercados internacionais, os produtos geralmente são negociados com a moeda norte-americana. Como ela perdeu força durante o período, esses produtos ficaram mais baratos para alguns compradores que detinham, por exemplo, reais ou euros, já que passaram a ser necessárias menos unidades dessas moedas para comprar alimentos negociados em dólares.Isso aumenta a demanda por essas commodities e, por sua vez, contribui para impulsionar os preços.Especialistas acreditam que o momento atual talvez não seja tão crítico quanto o observado há dois anos. |AE

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