loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Economia

Economia

Novas moradias n�o reduzem deficit

Ouvir
Compartilhar

As quase 60 mil casas e apartamentos previstos para sair do papel em dois ou três anos, através do Programa Minha Casa, Minha Vida [a contagem inclui 19 mil residências destinadas às vítimas da enchente no interior] ainda não são suficientes para superar o deficit habitacional de Alagoas, estimado pela classe empresarial, com base em dados oficiais, em mais de 140 mil unidades. ?Precisaríamos manter o atual ritmo de construção, e com os mesmos incentivos concedidos pelo governo federal, pelos próximos dez anos, para pensar em suprir a demanda sempre crescente por moradia em Alagoas?, estima o engenheiro e empresário Marcos Holanda, atual vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic). Engenheiro com 26 anos de experiência, Marcos é um dos centenas de empresários alagoanos que precisaram adaptar seus negócios, e com rapidez, ao surgimento de uma classe que, dois anos atrás, não sonhava jamais em pisar no escritório de uma imobiliária para comprar seu imóvel ainda na planta. Carência de mão de obra preocupa construção civil Quando o ?apagão? de mão de obra na construção civil ficou evidente, os empresários recorreram ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) para capacitar até 10 mil operários por ano, mas a escola profissionalizante não tinha [e continua não tendo] estrutura para certificar tanta gente em tão pouco tempo. Entre janeiro e dezembro de 2010, só 3.444 receberam treinamento ou requalificação. Fruto de parceria com o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), o treinamento começou com 2.800 alunos, mas a saudável pressão do empresariado elevou a cota para os 3.444 divididos em 216 turmas espalhadas por Maceió, Arapiraca, São Miguel dos Campos e mais 28 municípios de todo o Estado em que o treinamento foi viabilizado graças ao deslocamento da unidade móvel do Senai. Qualificação eleva salários e valoriza profissionais O pedreiro José Luís da Silva, 41 anos, 19 dos quais dedicados à construção civil, é considerado pelos colegas de trabalho ?o cara? quando o assunto é a aplicação de gesso para revestir as paredes de um imóvel. O gesseiro localizado pela Gazeta em obra no bairro da Santa Lúcia, periferia da capital, ganha por produção, o que lhe garante rendimento superior aos R$ 2 mil mensais. O ofício exercido pelo alagoano José Luís é considerado promissor pelos professores do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).?Sou de uma época em que se aprendia tudo na obra, na prática mesmo?, explicou o profissional, que aprimorou sua técnica de trabalho atuando em empresas de Alagoas, Paraíba e Pernambuco. O gesseiro profissional é bem objetivo quando a reportagem o questiona sobre seus rendimentos. ?Dá para tirar mais de R$ 2 mil por mês sem dificuldades?. É que o ordenado dele é calculado de acordo com cada metro quadrado de parede revestido com a substância calcária. ?É uma luta preencher algumas funções? O engenheiro José Maria de Oliveira Baracho formou-se em 1981 pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Nunca amargou o desemprego e, diante do ?boom? da construção civil em todo o País, trabalha com a perspectiva de ter sempre projeto para gerenciar não apenas pela qualidade de seu trabalho, mas também porque há carência de especialistas em Alagoas. ?Sinceramente, nós não imaginávamos que houvesse essa explosão da construção civil de uma hora para outra. Pedreiro ou engenheiro, todos foram surpreendidos pelos inúmeros projetos habitacionais do Minha Casa, Minha Vida?, explica o José Maria, que diz nunca ter visto tamanha escassez de mão de obra em seus 30 anos de atividade profissional. ?É uma luta para conseguirmos preencher algumas funções?, reconhece.

Relacionadas