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Economia

Venda de autom�veis consolida servi�os

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Quando começou a vender automóveis, Júlio César Silveira tinha em mente os nomes de todos os maceioenses com condição financeira para circular sobre quatro rodas. Quatro décadas depois, o hoje gerente comercial da Cycosa, revendedora Ford em Maceió, é testemunha privilegiada do crescimento de postos de trabalho graças à avidez da classe média pela aquisição de carros zero quilômetro. ?O aumento da venda de automóveis em 30%, de 2009 para 2010, também demandou ampliação de postos de trabalho nos diversos setores envolvidos coma a venda e manutenção de veículos?, explica o gerente, segundo o qual todo o comércio de automóveis da capital beneficiou-se, nos últimos dois anos, do farto acesso ao crédito. Os números oficiais, conforme recente divulgação, comprovam o momento favorável do setor em Alagoas, que registrou em 2010 crescimento de 11,5% em frota de veículos. Eram 393.137 unidades até 31 de dezembro de 2009. Um ano depois, registrou-se aumento para 438.414. Ou seja: acréscimo de 45.277, de acordo com dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Motos se tornam a ?bola da vez? para revendas de peças Claudon Abraão da Silva era mestre na arte de consertar bicicletas quando descobriu que poderia faturar até três vezes, na região da Praça do Pirulito, Centro de Maceió, desempenando rodas de motocicletas dos clientes de classe baixa que migraram para o conforto do passeio sobre duas rodas, principalmente em motocicletas de baixa potência. ?Meu salário varia entre R$ 800,00 a R$ 1.200. Se continuasse ajeitando bicicleta, não receberia nem metade?, confessa o mecânico Claudon Abraão. Ele presta serviços à empresa de Enivaldo dos Santos, o ?Val Motopeças?, empresário que também iniciou a vida consertando bicicletas. Hoje, ele fatura vendendo acessórios aos clientes que trafegam pelos bairros próximos ao centro em milhares de motocicletas. ?A gente dá manutenção em mais de vinte motos por dia. Não atendemos mais por falta de espaço na loja?, explica Rafaela Maurício da Rocha, 20 anos, filha do Enivaldo. Crédito farto pode se tornar armadilha De classe baixa ou média, o comprador de carro e moto em Alagoas se encaixa num perfil de consumidor muito comum: o daquele que não se preocupa em pagar juros elevados e divide sua aquisição em até 72 ?suaves? prestações. Muitos perdem o veículo depois do primeiro ano de uso, quando chegam à conclusão que não têm mais condições de conciliar prestações e manutenção. ?Comprar um automóvel dando prestação pequena de entrada é simplesmente um gesto de loucura para quem não tem poder aquisitivo elevado?, alerta a economista Ana Célia Oliveira Prado, professora de Faculdade de Alagoas (Fal). Até 2010, ano em que as montadoras bateram recorde de vendas, o consumidor se beneficiava do crédito farto que chegou ao fim quando o governo decidiu conter a inflação.

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