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Trabalhador avalia reajuste do m�nimo

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O debate sobre o valor do salário, nos últimos dias, levou muita gente a fazer contas. De um lado, o trabalhador, que conta na ponta dos dedos as poucas notinhas que serão acrescidas ao seu salário, e o que elas poderão aumentar no poder de compra; do outro, o governo, que praticamente fechou questão no valor de R$ 545, argumentando o impacto que um avanço maior causaria na economia do País e a impossibilidade de suportá-lo. Correndo por fora, centrais sindicais e uma minoria de partidos políticos mantêm a defesa de um salário mínimo de R$ 580,00, enquanto ainda martela na recente lembrança da maioria, a expectativa gerada pela proposta do candidato José Serra, durante a campanha para a Presidência da República, de um salário mínimo de R$ 600. Seja qual for o valor do aumento: R$ 35, R$ 70 ou até se passassem os R$ 90 já descartados pelo governo ? que elevariam o mínimo para R$ 600 ? o valor está muito aquém do que é apontado em estudos do Dieese, como o necessário para manter uma família de quatro pessoas ? R$ 2.227,53. ?Seria um sonho. Eu poderia pagar meus estudos e viver um pouco melhor, sem remorso de gastar um pouquinho com lazer de vez em quando?, diz o recepcionista Edevaldo Ferreira. Importante é ter aumento acima da inflação, diz Péricles Para quem ganha e vive do salário mínimo, a discussão prolongada e as dificuldades apresentadas pelo governo para conceder um aumento de R$ 35 parecem ridículas. ?É um valor irrisório para tanta conversa?, diz Edevaldo Ferreira. ?Os deputados aumentaram seus salários em mais de R$ 9 mil, e nem precisou de tanta discussão assim?, alfineta Jailton. Mas quando a conta é coletiva, levando em consideração o montante de brasileiros que ganham o salário mínimo, mesmo um aumento de R$ 35 faz uma enorme diferença, e é o economista Cícero Péricles quem faz as contas. ?É um cálculo simples. Considerando trabalhadores com carteira assinada, funcionários públicos, beneficiários da previdência e uma parcela considerável de empregados na economia informal que têm o salário mínimo como referência de renda, temos cerca de 900 mil pessoas em Alagoas, que terão os salários reajustados em R$ 35, caso seja mantido o valor de R$ 545. Isso resulta em mais 31,5 milhões por mês e cerca de 410 milhões por ano de renda. Dinheiro que será gasto em consumo de bens essenciais ? alimentos, roupas, remédios, transportes e material de construção no varejo?, diz ele. Fecomércio defende valor de R$ 545 O que poderia reduzir esses impactos, na ótica de Cícero Péricles, seria, primeiro, o crescimento da economia. ?No cálculo acertado com as centrais sindicais esse elemento é importante. Tanto que o próximo aumento do mínimo, no final deste ano, será muito mais elevado. A inflação projetada para 2011 é de 5 a 5,5% e a taxa de crescimento de 2010 foi de 7,2%. Somadas as duas taxas darão um aumento de, aproximadamente, 13%?, diz ele. O segundo ponto importante nessa relação de equilíbrio, apontado pelo economista, seria as condições das empresas, principalmente as de pequeno porte, de suportar esse aumento, tanto pela incorporação de mais produtividade do trabalho como de ampliação de seu mercado. Já as prefeituras, na sua avaliação, somente resolveriam com o aumento de sua arrecadação, e essa tarefa, as pequenas localidades têm dificuldades de realizar.

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