Economia
Sem capital, Afal tem desempenho baixo
Fundada ainda durante o governo de Ronaldo Lessa e só retirada do papel agora no governo de Teotonio Vilela Filho (PSDB), a Agência de Fomento de Alagoas (Afal) ainda está longe de promover um acesso mais amplo ao microcrédito entre os empreendedores de baixa renda do Estado. Com um capital social hoje acumulado em R$ 16 milhões, o próprio governo do Estado calcula que seriam necessários outros R$ 84 milhões para que a agência funcionasse da maneira ideal. Para efeito de comparação, a Agência de Fomento da Bahia, a Desenbahia, tem hoje um capital social acumulado de R$ 279 milhões ? um valor 17 vezes maior que o saldo atual da agência alagoana. Um pouco mais perto está o Banco de Sergipe, o Banese, que também funciona como agência de fomento de um dos menores Estados do País. Lá, só em ativos totais a instituição acumula R$ 2,4 bilhões e uma carteira de crédito de R$ 1,01 bilhão. Com esse crescimento vertiginoso, o Banese não se contentou em ficar restrito apenas a Sergipe. Uma campanha agressiva de publicidade já tenta ?aliciar? os credores de Estados vizinhos, incluindo Alagoas. Contrato com BNDES pode ajudar na capitalização O processo de capitalização da Afal é difícil e se arrasta há anos, ainda da época do governo Lessa. Durante anos, ficou limitada a existir apenas no papel, justamente por falta de dinheiro. Além do governo do Estado, algumas entidades de Alagoas também compõem o leque de sócios minoritários da agência de fomento. Entre elas está a Federação da Indústria do Estado de Alagoas (FIEA), Federação do Comércio (Fecomércio), Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Alagoas (Faeal). Juntas, essas entidades entraram no negócio com uma participação muito baixa em termos financeiros. O Banco Mundial e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também têm participação na formação do capital da Afal. Banco Central exige diretor ?ficha limpa? A Gazeta procurou Gilberto Occhi para saber porquê ele não aceitou a proposta para ir para a Afal. Por meio da assessoria de imprensa, ele disse apenas que não recebeu nenhum convite formal para assumir qualquer cargo junto ao governo de Alagoas, ?e que continua a servir o nosso estado como empregado da Caixa?. Porém, a informação obtida pela Gazeta junto a funcionários do governo é a de que Gilberto Occhi não aceitou o cargo por conta do baixo salário que é oferecido a quem ocupa o cargo: algo entre R$ 5 mil e R$ 7 mil reais. ?Creio que até o final do mês de abril um nome deve ser anunciado para assumir a AFAL. O conselho de administração da agência vai se reunir para avaliar a situação. Mas a escolha é uma decisão do governador?, explica o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico.