Economia
Consumidor nordestino exige qualidade
O perfil das regiões de consumo está mudando no Brasil. Uma pesquisa desenvolvida pela Nielsen (especializada em pesquisa de mercado) em parceria com a Associação Brasileira das Agências de Publicidade, mostra o Nordeste como a bola da vez no cenário econômico nacional. E essa constatação vem fundamentada em números que confirmam um crescimento que vem se mantendo há pelo menos cinco anos, acima da média nacional. De acordo com dados apontados no estudo, se o Nordeste fosse um país independente, seria a 39ª economia do Mundo. O Brasil ocupa a 8ª posição nesse ranking. Mais ainda, a pesquisa que avalia ?o fenômeno do crescimento no Nordeste? constata que o consumo na região está crescendo acoplado à exigência dos nordestinos por produtos de qualidade; que a classe C da região cresceu 20% e foi a que mais frequentou os supermercados em 2010; e que, apesar de a maioria dos consumidores ser constituída, ainda, de pessoas de baixa renda, a população local está sofisticando os seus hábitos. As maiores contribuições para o crescimento das vendas de produtos na região foram: cerveja (34%), refrigerante (17%), água mineral (4%), leite em pó (3%), aguardente (3%), fralda (2%) e desodorantes (2%). Região ainda concentra o maior índice de pobreza Apesar da evolução do Nordeste no contexto socioeconômico, a região ainda detém a maior concentração de pobreza do País. O índice é de 49%, contra 26% do Sudeste; 10% do Norte; 9% do Sul e 6% do Centro-Oeste, ainda que, entre 1995 e 2008, 4,9 milhões de pessoas do Nordeste, que ganhavam menos de meio salário mínimo, tenham saído dessa faixa. A projeção é de que o índice de pobreza, que era de 69,8% em 95 e baixou para 49,7% em 2008, caia para 27,9% até 2016. Dentre as regiões brasileiras, o Nordeste também tem a maior concentração de famílias numeras, com donas de casa mais jovens, com maior presença de crianças. Mas fica claro, segundo a pesquisa, que essas movimentações de crescimento vêm contribuindo para a diminuição da pobreza e aumento do potencial de consumo na região, observado com mais clareza nas classes média e baixa, que vêm aumentando sua frequência de compra acima da média do Brasil, principalmente de bens de consumo não duráveis. Empresas da região ganham espaço e consumidores Esse novo perfil do Nordeste, revelado na pesquisa, na avaliação da presidente da Associação de Marketing Promocional da Região Nordeste, Djanira Dias, pode trazer ainda mais benefícios para a região, na forma de investimentos públicos e privados, que proporcionam o aumento de renda. Na sua avaliação, o Nordeste passou a ser visto como um mercado em potencial, e isso, também tem reflexos na comunicação dirigida, criando uma nova tendência, na qual as empresas já começam a investir, e que busca, cada vez mais, a identidade regional. ?O Nordeste era meio esquecido como consumidor. As classes C, D e E, nem apareciam. Agora, é imperativo que a comunicação fale a linguagem nordestina, e as grandes marcas já estão se importando com isso. Há uma preocupação maior em atingir esse público, em alcançá-lo onde ele estiver. Sem dúvidas, o Nordeste é a bola da vez. E eu diria, também, que é a hora e a vez da comunicação integrada no Nordeste?, diz Djanira, que é dona da agência 2D Comunicação de Eventos, sediada na Bahia. Preparação de profissionais é gargalo Mão de obra também é a dificuldade citada pelo gerente comercial do Palato, trazendo para uma realidade mais localizada. Ele até concorda que Alagoas e Maceió têm acompanhado esse fenômeno de crescimento registrado no Nordeste, ?basta perceber o movimento de novas indústrias. No volume de consumo, as vendas tem tido crescimento de 10 a 15% ao ano?, observa. Mas, destaca que falta mão de obra qualificada. ?Este é um desafio para um projeto de expansão como o nosso, que prevê cerca de 400 novos empregos diretos. Temos que investir muito na formação de nossa equipe?, reforça ele. Na avaliação do economista Fábio Guedes, a grande dificuldade é que, em Alagoas, existem pouquíssimas escolas técnicas, e não está havendo a preparação de profissionais na proporção e celeridade que o mercado requer.