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Educa��o financeira para evitar d�vidas

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Quem nunca acumulou débitos na vida, que atire a primeira pedra. E quem nunca teve, em algum momento, dificuldades em pagá-los, também. Numa sociedade em que o consumo é estimulado em anúncios coloridos; em ofertas tentadoras; em facilidades de créditos cumulativos, com parcelamentos a perder de vista, contrair débitos parece ter se tornado inerente do ser humano ? rico ou pobre ? e esse não parece ser o problema. Na verdade, pagar ou não pagar é que é a questão. E isso, nem sempre depende apenas de vontade, mas de capacidade do devedor de lidar com suas próprias dívidas. Manter as contas em ordem, numa relação equilibrada entre receita e despesa, e ainda garantir alguma sobra no orçamento para investir na realização de um desejo de consumo é o sonho de todas as pessoas ? ou de quase todas. Mas isso não parece ser tão fácil assim. Os apelos e facilidades de consumo atraem cada vez mais gente para um ciclo de endividamento que pode se tornar perigoso, mas não irreversível. Facilidades podem virar verdadeiras armadilhas Resistir às tentações de consumo não é fácil e atingir um estágio de superendividamento ? em que não se consegue mais pagar as despesas com a própria receita ? não é exclusividade de pessoas que ganham pouco. ?Tem gente que vive bem ? com as contas sob controle ? ganhando um salário mínimo; e tem gente superendividada, com um salário mensal de R$ 8 mil?, observa Rodrigo Cunha, do Procon, apontando as facilidades que às vezes se tornam armadilhas. ?Hoje, um jovem de 17 anos chega à universidade e já ganha um cartão de crédito, mesmo sem ter renda; há produtos que são oferecidos para pagamento em até 60 meses. É muito tempo, e muita coisa pode mudar na vida financeira de uma pessoa nesse período?, avalia. Na rotina do Procon, não é raro lidar com situações graves de descontrole financeiro. No ano passado a instituição iniciou um projeto de reeducação financeira para superendividados. Com 6 anos, criança já pode aprender a lidar com dinheiro Qual a idade ideal para introduzir conceitos de educação financeira na vida de uma pessoa? Na avaliação de Luciana Caetano e José Alberto Netto Filho, isso depende de cada indivíduo. Alguns só se preocupam quando a situação parece insustentável; outros não aprendem nunca. Mas a partir de seis anos de idade já é possível trabalhar a educação financeira de um futuro adulto. ?É o período em que a criança observa tudo e vê que o dinheiro usado pelos pais compra coisas que lhe dão prazer. Ela estabelece uma relação de satisfação com o dinheiro. É quando se diz: bem-vindo ao mundo do consumo. Então, é hora de começar a educá-lo para lidar com as finanças, ensiná-lo a poupar para objetivos em curto prazo: a compra das figurinhas, por exemplo?, diz José Alberto. Poupar se aprende na sala de aula A economista Luciana Caetano cita um curso de capacitação em finanças pessoais promovido pela Ufal, em 2009. ?Recebi, também, em 2009, a proposta de elaborar um projeto e ministrar esse curso para um órgão do Estado e fiz palestras para uma empresa privada que tinha a mesma preocupação. Algumas empresas têm adotado esse projeto na perspectiva de melhorar o rendimento do corpo operacional?, destaca ela. No âmbito estadual, algumas experiências que começaram com a educação fiscal já começam a evoluir para um processo de educação voltado, também, para as finanças pessoais. Ex-professora da rede estadual, Silvia Jane Medeiros, hoje cedida à Secretaria da Fazenda para atuar no programa de disseminação de educação fiscal, conta que atualmente existem em Alagoas 27 turmas, totalizando mais de 500 disseminadores de ações de educação fiscal em processo de formação. Iniciado em 2004, quando o Estado fez a adesão ao Programa Nacional de Educação Fiscal, o curso formou 154 disseminadores até 2006. Em 2007 já eram 1.782 cursistas, em 72 municípios, segundo Silvia Medeiros.

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