Economia
Comit� decidir� destino do Rio S�o Francisco
MAIKEL MARQUES Os debates em torno da luta pela revitalização do Rio São Francisco ganham ainda mais importância a partir do próximo quatro de outubro, quando os representantes da sociedade civil alagoana e integrantes do Comitê da Bacia do São Francisco, composto por seis pessoas, dentre eles usuários diretos de suas águas e recursos, passam a ter poder de decisão quanto à gestão de forma racional dos recursos daquele que, embora degradado, é o principal rio do Nor-deste brasileiro. ?O momento de dificuldades por que passa o São Francisco é um aviso claro e objetivo de que a sociedade precisa, mais uma vez, estar atenta e participativa na luta em defesa de projetos que garantam sua revitalização?, prega Inácio Loyola, prefeito de Piranhas, e eleito representante da Associação dos Municípios de Alagoas (AMA). Avanço popular Eleito por unanimidade de votos o representante dos municípios alagoanos no Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco, Inácio Loyola, ressalta o avanço popular no que se refere às discussões em torno da preservação do Velho Chico. ?Vivemos um momento crítico. Nunca, em toda nossa história, presenciamos a luta de uma sociedade em defesa do Rio São Francisco. Acredito que num momento crítico de degradação como o atual, a sociedade alagoana vai saber se mobilizar e cobrar de seus representantes projetos viáveis para a recuperação daquele que é o principal rio de nosso Estado e do Nordeste?, acrescenta Loyola. O prefeito afirma ainda que o próximo dia quatro de outubro (data de definição e posse da diretoria definitiva do comitê do São Francisco) marca a arrancada de mais um processo de luta em prol da sobrevivência do Rio São Francisco. ?Queriam transformá-lo em motivo de grande discórdia a partir da discussão do impensado projeto de transposição de suas águas. Somente com o constante processo de conscientização da comunidade ribeirinha é que poderemos abortar quaisquer tentativas de degradação como as que estão em curso?, adverte. Mobilização Para a coordenadora estadual da Mobilização para Formação do comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco, Eneida Brito, Alagoas nunca precisou tanto de engajamento de toda sua sociedade em defesa do Rio, ?acostumado com as nocivas decisões unilaterais de burocratas que nem sempre conheciam as demandas do próprio rio e de sua comunidade ribeirinha?. Ela diz que a partir de agora quem melhor se preparar para lutar pelo rio é quem vai conseguir os melhores projetos em seu favor. ?A sociedade passa a interferir no controle de uso dos recursos do São Francisco, cujo volume d?água vem diminuindo a cada dia em virtude tanto de barragens como da própria degradação praticada por indústrias ou usinas?, diz Eneida Brito. Dentre as comunidades prejudicadas com o processo de degradação, ela cita os povos indígenas como as principais vítimas. ?Eles tinham no rio a principal fonte de sobrevivência e, hoje em dia, na maioria dos casos, sequer conseguem o pescado abundante e necessário ao seu sustento?, alerta. Plenário Eneida Brito informou que os articuladores da mobilização para formação do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco reúnem-se, nos dias 22 e 23 deste mês, em Paulo Afonso, na Bahia, na última plenária para discutir a escolha do representante dos povos indígenas sediados na região do São Francisco. Os organizadores devem reunir 52 líderes indígenas que representam mais de 42 mil índios. De Alagoas, participam lideranças das comunidades de Pariconha, Água Branca e Porto Real do Colégio.