Economia
Pernambuco fica com 65% do g�s de Alagoas
Roberto Vilanova Agora é definitivo: a Petrobras assegurou para Pernambuco a cota de 1,3 milhão de metros cúbicos de gás produzidos em Alagoas, por dia. Da produção diária de dois milhões de metros cúbicos/dia, apenas 500 mil metros cúbicos ficarão no Estado ? os 200 mil metros cúbicos restantes serão levados para Sergipe. O diretor-técnico da Empresa de Gás de Alagoas ? Algás - Antônio Carlos Mesquita Dória, confirmou a nova programação e explicou que a decisão é da Petrobras, ou seja, o governo alagoano nada pode fazer para impedir a saída do gás produzido no Estado. Mas o pior é que os 500 mil metros cúbicos que ficarão em Alagoas não serão usados na produção de energia térmica, porém na produção de gás veicular e de cozinha. Gasodutos O diretor da Algás, Antônio Dória, explicou que a exportação do gás produzido em solo ala-goano faz parte da política da Petrobras, responsável pela exploração do produto, enquanto a Algás compete fazer apenas a distribuição para o mercado local destinado ao consumo de veículos e domicílio ? gás canalizado ? e futuramente, indústrias. Mas, apesar da definição de cotas pela Petrobras, o diretor da Algás acredita que a parte que cabe a Ala-goas poderá ser aumentada, dependendo da procura. Antes, o Sergipe e a Bahia consumiam 1,5 milhão de metros cúbicos por dia ? o gás é levado através de duto, que atravessa o subsolo do Rio São Francisco. Com a autorização para Pernambuco implantar a termelétrica, foi preciso a Petrobras rever a distribuição das cotas do gás alagoano, considerando-se que o solo pernambucano não produz gás. O gás de Alagoas também será levado para Pernambuco através de duto, já implantado, ligando os campos da Chã do Pilar ao terminal construído no Distrito Industrial do Cabo, na Região Metropolitana do Recife, e daí para o município de Ipojuca, onde está sendo construída a termelétrica pernambucana. Novas bombas O diretor da Algás anunciou que a empresa vai construir a linha-tronco para levar gás industrial, veicular e residencial até o Farol. Antônio Dória disse que a proposta da empresa é a de direcionar o consumo de gás para o mercado industrial, citando que o maior consumidor de gás, hoje, é a Trikem. ?São duzentos mil metros cúbicos por dia consumidos pela Trikem?, ressaltou Dória. Através de release produzido pela assessoria da Algás, o diretor da empresa estatal garante também implantar novos postos de venda de gás veicular, dois deles no interior ? São Miguel dos Campos e Pilar, exatamente os dois municípios produtores. Na entrevista, o diretor da Algás deixa claro a resignação do governo alagoano, que chegou a comemorar a implantação da termelétrica como feito do século. A ameaça de tamponar os poços de gás, caso a termelétrica não fosse instalada em Alagoas, foi mais um ato de pirotecnia, que fica claro na entrevista do diretor da Algás, ao informar que compete exclusivamente a Petrobras definir a política de exportação de gás. A empresa alagoana não tem poder sobre as jazidas e o governo do Estado não vai reagir. A produção de gás em Alagoas atingiu o volume máximo a partir de meados da década de 1980, mas o Estado não se beneficiou da produção ? o gás foi levado para Sergipe e daí para Camaçari, na Bahia. Agora, Pernambuco, que não produz gás, mas terá uma termelétrica, ficará com 65% da produção alagoana; Sergipe com 10% da produção diária.