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Infla��o alta abre guerra entre pa�ses

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Basiléia, Suíça ? A pior crise financeira nos últimos 70 anos eclodiu nos países ricos. Mas agora esses governos cobram justamente das economias em desenvolvimento ? entre elas o Brasil ? um abandono de políticas de estímulo ao crescimento, a elevação de taxas de juros e cortes de gastos. Tudo isso para permitir que os países ricos, que ainda patinam para sair da crise, evitem a ?importação da inflação? e também possam apresentar crescimento sustentável. A cobrança foi feita pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS), alertando que a inflação nos países emergentes ameaça a recuperação da economia mundial, mas abrindo um racha entre emergentes e ricos. O BIS (espécie de banco central dos bancos centrais) se reuniu na Basileia em um encontro com as principais autoridades monetárias do mundo, entre eles Alexandre Tombini, presidente do BC brasileiro. BIS prega corte de gasto e juro alto O BIS acredita que não há certezas ainda sobre a retomada dos mercados maduros. Para os economistas, portanto, países industrializados estão hoje sem instrumentos para lidar com a inflação que os atinge e qualquer elevação de taxas de juros abafaria a incipiente retomada. Na zona do euro, por exemplo, a inflação já superou a meta estabelecida pelo BC europeu. Mas a região pena para crescer. Na Europa, o BC optou por não elevar a taxa de juros para não abafar a retomada. A avaliação, portanto, é de que cabe aos emergentes frear suas expansões para, assim, frear a contaminação inflacionária. Para o BIS, emergentes precisariam tomar duas ações: continuar a elevar os juros e, ao mesmo tempo, cortar os gastos públicos para desaquecer suas economias. No caso do Brasil, a estimativa é de que o País também terá de seguir com sua política de elevação de taxas de juros e corte de gastos. Mas o BIS optou por destacar o trabalho do BC como um exemplo de autoridade monetária que estaria focada no esforço de reduzir a inflação. Emergentes já seguem recomendação Os governos de países emergentes mudam suas prioridades e, três anos depois da crise financeira internacional, trocam políticas de crescimento por políticas de controle de inflação. A transformação segue a linha das recomendações do BIS de abandonar momentaneamente as políticas de promoção do crescimento. Na Ásia, a tolerância com a inflação foi alta durante os últimos dois anos, em uma decisão de que incentivar o crescimento era a prioridade. Agora, BCs revertem essa tendência e a percepção é de que novos estímulos ao crescimento teriam efeitos negativos. ?Qualquer tentativa de elevar as taxas de expansão do PIB acima de seu potencial apenas levará à maior inflação, mas não gerará nem um crescimento durável nem ganhos na criação de postos de trabalho?, afirmou Kaushik Basu, conselheiro do Ministério das Finanças da Índia.

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