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Economia

“Com mis�ria, n�o teremos uma economia saud�vel ”

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Em entrevista à Gazeta de Alagoas, o professor-doutor Reynaldo Rubem Ferreira Júnior analisa a política econômica do governo de Dilma Rousseff, fala do risco da inflação diante de um quadro de superaquecimento da economia e defende as medidas do Banco Central para segurar o crédito e manter o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) dentro da meta estabelecida pelo governo federal. O economista diz ainda que ?a força de uma economia está em sua capacidade de propiciar a melhoria da qualidade de vida da população?. Gazeta ? Quais as principais mudanças na conjuntura econômica brasileira com o governo Dilma Rousseff? Reynaldo Rubem Ferreira Júnior ? Minha avaliação é que a Dilma herdou do Lula uma economia que enfrenta os desafios típicos de uma economia de consumo de massas alavancada pelo crédito e por um melhor perfil de distribuição de renda. Ocorre que há limites estruturais para o ritmo deste crescimento que não podem ser desconsiderados ? principalmente quando o propósito da política econômica é contribuir para a sustentabilidade do crescimento, por um período longo de tempo, sem o fantasma da inflação à porta. Tais limites, por sua vez, exigem a diminuição do ritmo de atividade da economia (o famoso freio de arrumação), como é o caso vivido hoje por nossa economia, que termina frustrando as expectativas positivas das pessoas. Acontece que se estes limites de velocidade não são observados, os problemas começam a surgir e com certeza a inflação é o mais evidente deles. Assim, cabe ao governo Dilma a implementação de uma política econômica que seja criativa o suficiente para assegurar o sucesso econômico do governo Lula sem permitir que a inflação fuja ao controle. Não é fácil, mas é possível desde que a condução da política macroeconômica ? fiscal e monetária ? não só foque na inflação como também busque, mesmo que em um ritmo menos intenso do que o observado ano passado quando o PIB cresceu 7,5%, dar continuidade à política de crescimento econômico com distribuição de renda. Afinal, do mesmo modo que a tolerância das pessoas com a inflação é praticamente zero, o mesmo se pode dizer no tocante a abrir mão das conquistas obtidas nos últimos anos em termos de mobilidade social. Deste modo, insisto, há um duplo desafio colocado para o governo Dilma: é preciso estabilizar a inflação dentro da meta, sem, contudo, abortar o ciclo virtuoso de investimentos público e privado em processo na economia brasileira, única forma de assegurarmos a continuidade do processo de inclusão social. Por que o governo e até organismos internacionais como o FMI estão preocupados com o superaquecimento da economia brasileira? Quando me referi acima ao limite estava justamente preocupado com a questão do ritmo forte de crescimento da economia brasileira em 2010. Em função de termos passado algumas décadas crescendo a taxas muito baixas, em média 2% ao ano, padecemos hoje de uma série de problemas estruturais que demandam tempo para ser superados. Para você ter uma ideia do que estou dizendo, a participação do investimento sobre o PIB brasileiro o ano passado foi de 19%, a China que cresce a uma taxa média de 10% ao ano há mais de uma década investe 45% do PIB. Bem os números falam por si e você pode concluir que é complicado crescer hoje no Brasil a 7,5% ao ano sem gerar uma série de estrangulamentos estruturais sem falar de pressões inflacionárias. Há, contudo, um relativo consenso entre os economistas brasileiros de que para crescer acima 5%aa a taxa de investimento sobre o PIB deveria ser da ordem de 25% ao ano. Então tem que desacelerar a locomotiva senão o risco de descarrilar é alto!

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