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Centro de compras � ainda ilus�o popular

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O Shopping Popular anunciado pela prefeitura da capital como a solução para o fim do conflito entre camelôs e comerciantes legalizados parece ter empacado nas entranhas da burocracia governamental. Dois anos depois do lançamento de seu projeto, o empreendimento ? orçado em mais de R$ 4 milhões ? não tem data para ser inaugurado. O centro de compras projetado para abrigar 430 dos mais de 1.200 camelôs que desafiam a legislação e os fiscais da Superintendência Municipal de Convício e Controle Urbano (SMCCU) foi e continua sendo proposta de campanha do grupo liderado pelo prefeito Cícero Almeida, que deixa o poder no fim de 2012. Fincada no que restou do antigo Bingo Português e de uma antiga loja de produtos importados, ao lado do histórico Teatro Deodoro, a obra já deveria ter sido inaugurada pela municipalidade. Contrariando as previsões iniciais, a previsão mais otimista de inauguração seria fevereiro do ano vindouro. Alguns têm seu lugar garantido, outros não O ambulante Raul Moura Barros comercializa cofres temáticos e fatura seus trocados junto aos poucos clientes que aparecem no camelódromo improvisado nas imediações da Praça Palmares esperançoso de que seu lugar continua garantido nas dependências do Shopping Popular ainda em construção. ?Isso aqui só não é pior porque a gente está aqui na entrada do camelódromo. Os cofres chamam a atenção e sempre vendo algumas novidades ao longo da semana?, queixa-se Raul Moura, enquanto exibe à lente da câmera empunhada pela acadêmica de Jornalismo Pei Fon os gigantes cofres no formato de sapos. O ambulante sobrevive da venda de artefatos produzidos no Sudeste do País faz 15 anos. Já levou muita carreira dos fiscais da SMCCU. Diz ter encontrado a paz cinco anos atrás, quando a prefeitura inaugurou o referido camelódromo, num estacionamento próximo ao calçadão do comércio. ?Daqui não saio, daqui ninguém me tira?, reforça comerciante Faz 12 anos que o ambulante César da Silva diz ter proteção divina para vender cartões de Natal e produtos eletrônicos sem perturbação de qualquer tipo de fiscalização. Exibe, inclusive, documento que lhe teria sido fornecido pelo pároco autorizando sua permanência diante da Igreja de Nossa Senhora do Livramento. ?Não adianta a prefeitura insistir com esse negócio de organização e Shopping Popular. Daqui não saio, daqui ninguém me tira. A gente continua vivo é porque o cliente está circulando aqui pelo calçadão?, diz em uma das centenas espalhadas pela pela Rua do Livramento. ?Fiscais não perturbam?, diz camelô O vendedor Alisson Santos (eis o nome divulgado à reportagem) também desfrutava do ?sumiço? dos fiscais da SMCCU para atrair a clientela com a oferta de repasse de chips para telefones móveis de uma operadora de telefonia. Ostentava colete da empresa que teria sido fornecido por um funcionário da mesma. ?Deixei meu irmão cuidando da banquinha e aceitei a oferta de receber R$ 20,00 por dia para vender os chips e cartões com crédito da operadora?, confirmou. Não demonstrou qualquer preocupação com os rigores da fiscalização. ?Eles (os fiscais) não nos perturbam. São tranquilos?, ironizou. Quem também não parecia preocupada com qualquer repulsa por parte da municipalidade era Lúcia Soares de Lima, 47 anos, 22 dos quais dedicados ao comércio ambulante na Rua Moreira Lima. ?Já vendi de tudo. Atualmente, revendo as roupas que compro lá em Santa Cruz do Capibaribe (PE)?, explica. ?Centro de Maceió parece mais uma terra sem lei?, desabafa empresário Crítico contumaz da presença de ambulantes nas ruas do revitalizado calçadão do Centro de Maceió, o empresário João Correia, membro da direção da Aliança Comercial, diz que a região parece ?terra sem lei?, tamanha a quantidade de autônomos comercializando produtos sem pagamento de impostos. ?Não encontro outra maneira de definir o que acontece. Isso aqui parece mesmo é terra sem lei. Não há fiscalização. Não há combate. Não há respeito à lei. Qualquer um entra, monta a banca e vende o que quer sem pagar imposto. Isso prejudica o comércio de quem atua dentro da legalidade?, enfatiza Correia. Proprietário de um restaurante que vende comida por quilo na Rua Cincinato Pinto, o comerciante é testemunha do multiplicação do número de ambulantes desde 1982, quando chegou à cidade. Naquela época, recorda Correia, eram poucos e conhecidos pelos prenomes os revendedores autônomos. SMCCU diz que fiscalização é quase impossível de ser feita Fiscais não têm forças, por exemplo, para enfrentar a ?invasão? dos revendedores de telefones móveis que elegeram como ponto de referência a Rua do Livramento Aldo Galdino da Silva, coordenador de Logradouros Públicos, Orla e Áreas Verdes da Secretaria Municipal de Convívio e Controle Urbano (SMCCU), não foge à escancarada realidade. ?Atualmente, é missão quase impossível para controlar o acesso dos camelôs ao Centro de Maceió?, confessa o fiscal. A missão impossível se justifica pelo diminuto quantitativo de fiscais escalados para fazer cumprir a lei naquela região da cidade. São apenas 54. Não têm forças, por exemplo, para enfrentar a ?invasão? dos revendedores de telefones móveis que elegeram como ponto de referência a Rua do Livramento.

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