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O movimentado centro comercial de serviços que gera renda e emprega milhares no bairro do Jacintinho, onde vive 10% da população de Maceió, camufla um particularidade que tem despertado interesse dos economistas porque inexiste nos bairros de maior poder aquisitivo da paradisíaca Maceió: o funcionamento 24 horas por dia, todos os dias, de estabelecimentos comerciais, legalizados ou clandestinos. Iniciamente formada pelos ?fugitivos? da atividade agrícola no interior, no início do século passado, a comunidade é a morada de mais de 100 mil moradores. A maioria segue o ritmo frenético da Avenida Cleto Campelo, ampla e diversificada vitrine de produtos e serviços cuja comercialização responde por 44% do faturamento bruto da localidade. A Cleto Campelo, explica o economista Jarpa Aramis Ventura de Andrade, é uma via articuladora pela qual circulam milhares de transeuntes e automóveis todos os dias. Liga o bairro à praia ou à parte alta da cidade e é responsável ainda pelo dinamismo comercial em outras oito ruas paralelas onde a circulação de ?dinheiro vivo? é perene e se desenvolve 24 horas por dia. Taxista multiplica economias no bairro O taxista Márcio do Nascimento faturava seus trocados transportando passageiros entre Maceió e Passo de Camaragibe, no Litoral Norte do Estado, até três anos atrás, quando observou que o Jacintinho, onde nasceu 33 anos atrás, era ?o lugar? que lhe permitiria a multiplicação de suas economias prestando serviço de qualidade principalmente à classe considerada baixa. Vendeu dois automóveis e investiu o que tinha, R$ 60 mil, na aquisição de uma praça de táxi. Financiou ainda parte de um veículo usado (Fiat Doblô) e marcou posição no estacionamento do Posto Jacintinho à espera da clientela. Desde então, transporta principalmente assalariados de bairros próximos que fazem compras na Cleto Campelo. ?Não troco isso aqui de jeito nenhum por um emprego que me pague R$ 2 mil por mês em outro ponto da cidade. Graças a Deus, o movimento é grande. A gente trabalha muito, mas o bolso fica muito alegre com o que arrecado dos passageiros?, explica o autônomo, que faz mais de dez corridas por dia. Lojas miram público feminino ?Há quem ache que as coisas aqui não têm qualidade. Pelo contrário. Temos peças de marca, mas com um diferencial, que é o preço mais justo, se comparado ao que se cobra em outros bairros?. Disparada com objetivo de não deixar o interlocutor na dúvida, a afirmação é da Maria Silvânia, funcionária de uma loja revendedora de roupa íntima feminina na agitada e frutífera Rua Cleto Campelo. Usado, mas com jeito de novo Cícero dos Santos, ex-servente de pedreiro em construções na região nobre da capital, mudou de ramo seis anos atrás e investiu seus minguados recursos na revenda de sapatos usados. Comprou os primeiros pares por até R$ 5 e, depois de uma completa reforma, encontrou quem lhe pagasse até quatro vezes mais pelo valor investido inicialmente. Seu negócio funciona pendurado na parede externa de uma birosca onde se revendem bananas, batatas, cebolas e tomates. Dentre os mais de 200 pares de sapatos à disposição do transeunte, há até coturno policial. ?Comprei baratinho, reformei e pintei. Vendo por R$ 20. Experimente! Está novinho agora!?, explicou o vendedor, que tem renda líquida variando entre R$ 800 e mil reais ao mês. ?Supermercados, farmácias, lojas e serviços são shopping a céu aberto? Gazeta - De onde vem a renda da população do Jacintinho? Da prestação de serviços ali mesmo ou dos repasses federais? Cícero Péricles - A renda que movimenta toda aquela economia típica de bairro popular, baseada no comércio, prestação de serviços e um pouco de produção industrial caseira e de fundo de quintal, é originada, principalmente, na renda pública, seja do funcionalismo ? estadual e municipal ?, da previdência social e dos programas de transferência direta de renda, como o Bolsa Família. É bom lembrar que, em Maceió, vivem mais de 80 mil funcionários públicos, 136 mil beneficiários da previdência e 84 mil famílias que recebem o Bolsa Família. Em segundo lugar, é que vem a renda da economia real, dos salários, principalmente de trabalhadores de setores como a construção civil e do próprio comércio e serviços.

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