Economia
Transporte em cont�iner enfrenta deficit
São Paulo, SP ? As restrições criadas pelo governo federal para a construção de novos terminais portuários no Brasil estão comprometendo a expansão do transporte em contêiner ? aquelas caixas de metal padronizadas que transportam produtos distintos, de café e açúcar a celulares e roupas de grife. Calcula-se que o País tenha hoje um déficit de US$ 4 bilhões em novos terminais de contêineres para atender uma demanda reprimida que não para de crescer. No Brasil, a revolução do transporte em contêiner desembarcou com força no final dos anos 90 depois da privatização dos portos. Nas mãos da iniciativa privada, os terminais foram ampliados e modernizados. Trocaram os antigos guindastes por equipamentos automatizados, que conseguiam movimentar dezenas de contêineres por hora. Em seis anos (de 1999 a 2005), eles triplicaram o volume de cargas movimentadas. Modelos como o de Suape são ideais No ano passado, os terminais portuários brasileiros movimentaram 74,6 milhões de toneladas de mercadorias em contêineres, 14% mais que em 2009, segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). O volume, no entanto, representa 62% do total de carga geral transportada pelos portos nacionais no ano. Isso significa que há um mercado potencial grande para os contêineres. Mas falta terminais para atender toda essa demanda ?A privatização melhorou de forma significativa a operação portuária. Mas precisamos inaugurar uma nova fase de investimentos da iniciativa privada?, afirma o consultor da Porto Assessoria, Nelson Carlini, ex-presidente da CMA CGM - uma das maiores companhias marítimas do mundo. Ele destaca que há cerca de 4 ou 5 projetos em construção no País. Mas, quando começarem a operar, vão apenas conseguir estancar a demanda reprimida atual. Legislação emperra investimentos A principal justificativa dos investidores para o descompasso entre oferta e demanda nos portos brasileiros são os entraves na legislação. Desde o ano passado, os investidores que pretendem construir terminais portuários de uso privativo têm de comprovar que o empreendimento vai movimentar carga própria e não carga de terceiros. Quase todos os portos que estão em construção no País foram projetados antes da atual regra (Decreto 6620), como é o caso da Embraport, da Brasil Terminais Portuários (BTP) e os portos do empresário Eike Batista. Navegantes e Itapoá, em Santa Catarina, também escaparam das restrições. A partir da publicação da regra, os projetos foram engavetados. Mas esse não é o único problema que aflige os investidores. O governo e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) decidiram inovar em algumas medidas e regras, que estão represando um investimento de R$ 6 bilhões, afirma o presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), Wilen Manteli.