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Serra das Pias: novamente crateras � vista

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TONY MEDEIROS Sucursal Arapiraca ? Foram anos de reclamação solicitando que algum recurso chegasse para realizar as obras de recuperação da pista na serra das Pias, município de Palmeira dos Índios, na rodovia AL-115, que liga Alagoas a Pernambuco. A localidade havia se tornado o ponto preferido pelos assaltantes que aproveitavam o fraco desenvolvimento da velocidade dos caminhões por causa dos buracos, para roubar os pertences dos motoristas. Ônibus de passageiros e veículos do tipo Besta que fazem também o transporte de passageiros entre os Estados, diversas vezes foram vítimas de crimes de assalto. ?Quando pegava uma carga que deveria ser transportada pela serra das Pias, eu já ficava assustado, porque os assaltantes colocavam pedras no caminho ou simplesmente acompanhavam o caminhão a pé, pois reduzíamos a velocidade para passar nos buracos. Fui roubado três vezes?, relata o caminhoneiro paulista João Francisco. Recursos Em 2001, finalmente, os recursos chegaram e a recuperação foi realizada com todas as promoções possíveis. Mas o asfalto liso e a tinta fresca não impediram que a história se repetisse. Pelo que foi constatado recentemente, os buracos são parte do passado e do futuro da rodovia. Em menos de um ano da inauguração, o trecho volta a apresentar problemas. O que deveria ser orgulho, não pode mais ser apresentado como tal. Os remendos estão se multiplicando e logo, logo, vão surgir novas dores de cabeça para os motoristas que trafegam na região. Em uma das curvas é possível contar até seis remendos, incluindo, ainda, o estrago no acostamento. O maior medo da população em geral é que os buracos brotem como antigamente e novamente os tormentos da poeira, buracos e assaltos voltem a fazer parte do cotidiano dos moradores das margens da serra das Pias. O medo se confunde com a indignação de ver o local com tão pouco tempo de recuperado, apresentando, de alguma forma, falhas no planejamento. ?A gente ficou muito contente com a recuperação da pista, mas percebemos que a alegria vai durar pouco. O que mais me deixa pensativo é o fato de que em menos de um ano uma estrada possa estar criando buracos. Seria interessante buscar informações a respeito do que foi utilizado na recuperação e por que não deu certo?, declarou o agricultor Alfredo Santos. AL-220 Na rodovia AL-220, que liga Arapiraca à cidade de Delmiro Gouveia, os problemas também são aparentes. No trecho entre os municípios de Major Isidoro e Batalha, a rodovia foi remendada, mas os buracos continuam aparecendo na pista, tornando o tráfego perigoso. ?Esse remendo tem vida útil limitada. Até a próxima chuva?, destaca o agricultor Alberto da Silva. Para a dona de casa Maria do Carmo, não adianta fazer pequenos reparos, mas reconstruir a pista. ?Se todo buraco que aparecer o pessoal ficar tapando com um material fraco, os buracos nunca vão sumir por completo. Precisa é recuperar a estrada?, anuncia a dona de casa. Buracos viram meio de enfrentar desemprego Sucursal Arapiraca ? Os buracos na rodovia AL-101 sul, no trecho que liga os municípios de Penedo e Piaçabuçu, atrapalham o fluxo de turistas nas cidades e, principalmente, tira a paciência dos motoristas que trasfegam por ela. ?A buraqueira é tanta que as pessoas que conhecem já sabem que se um compromisso estiver marcado, deve sair com uma antecedência de pelo menos meia hora a mais do que o normal, para chegar na hora marcada?, frisou Antunes da Silva. As pessoas largavam o trabalho na roça mais cedo, para utilizar enxada e a pá para tapar os buracos na rodovia. ?Virou meio de ganhar a vida. Quem não tinha emprego ganhou a possibilidade de ganhar um troco tapando buracos e pedindo dinheiro aos motoristas que trafegam na rodovia em nome do serviço. Está acabando com o desemprego?, relatou uma moradora das margens da AL-101 sul. Além dos buracos, os moradores também fazem piadas com a conhecida Ponte da Cerquinha, que foi construída no início da década de 50, no povoado Cerquinha das Laranjas, município de Penedo. Nessa ponte, apenas um veículo passa de cada vez, ou seja, se um caminhão e um ônibus estiverem trafegando em sentidos diferentes, terão que se resolver quem passa primeiro pela ponte. Problema Por causa desse problema de largura, a ponte foi apelidada de cintura fina e já foi motivo de vários acidentes na região. A dona de casa Maria José de Assis perdeu o marido em um acidente na ponte. ?Ele estava na bicicleta e um caminhão viajava no sentido contrário. Meu marido tentou atravessar a ponte da Cerquinha mas foi atropelado e morreu na hora?, lamenta a dona de casa. Os problemas de ordem estrutural na AL-101 sul não contribuem em nada com o turismo nos municípios de Penedo e Piaçabuçu. Para as pessoas que sabem do problema na rodovia, a paciência é a pedida certa, caso contrário, os veículos ficam avariados e as férias também. ?Quando uma família viaja de férias, procura locais que possam desfrutar do bom e do melhor, situação encontrada nas duas cidades. No entanto, precisamos conquistar o cliente de tal forma que ele convença os demais integrantes da família para voltar à localidade apesar dos buracos que tiram a tranqüilidade de qualquer um?, explicou um dono de Pousada.

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