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Crise faz aumentar procura pelo ouro

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A oscilação que vem se registrando desde 2008, no mercado financeiro mundial, tem colocado novamente em moda um dos mais antigos tipos de investimentos. Valioso e estável, o ouro, que ao longo da história da humanidade tem sobrevivendo a muitas mudanças drásticas no universo econômico, a catástrofes, guerras civis e a podres poderes, continua exercendo seu fascínio milenar e mantendo seu valor, mesmo ? e principalmente ? nos tempos de turbulência, a exemplo da tão propalada crise econômica mundial dos tempos atuais. Em abril, com a instabilidade da bolsa de valores e o recuo do dólar, o ouro apareceu como o melhor investimento do mês. Em junho, a aversão ao risco fez com que o bom desempenho do metal prevalecesse, diante de perdas registradas em outros investimentos, como as bolsas mundiais, que mantiveram sequência negativa e entraram o mês de agosto em queda livre. Na primeira semana do mês, enquanto o Ibovespa (principal índice da bolsa) despencava quase 10%, o ouro fechava a semana com valorização de 2,86%. No acumulado dos últimos 12 meses, o Ibovespa caiu 22%, enquanto o ouro, num movimento contrário, somou 22% de valorização. Momento é bom para investir, defende perito Não são apenas os investimentos em barras de ouro que têm dado sinais de bonança. Pesquisador e perito de joias há cerca de 20 anos, o designer Alcy Ramalho costuma sentir, no ouro que passa diariamente pelas suas mãos, as variações de mercado, que ele também acompanha diariamente, como subsídio para a avaliação das peças que recebe. E o momento, segundo ele, é bom. ?Consulto a cotação várias vezes ao dia. O mercado está especulativo. Na segunda-feira, o grama do ouro puro chegou a R$ 95. Na terça-feira estava a R$ 89. Na quarta, já era R$ 92. Tudo tem a ver com a instabilidade do mercado financeiro mundial e com as crises localizadas?, diz ele. Mas um exemplo de que a busca pelo ouro está mesmo em alta, está nos leilões de jóias da Caixa Econômica realizados nos últimos meses. Em todos os que foram feitos este ano, segundo Alcy, foram vendidos todos os lotes, e alguns com valores até 30% acima da média. ?As pessoas ricas vinham disfarçadas? ?Antigamente, as pessoas mais ricas vinham disfarçadas ou mandavam um empregado penhorar as joias para não se expor a comentários de que estaria em dificuldades financeiras. Hoje, qualquer pessoa vem aqui, de forma aberta. Até porque, deixar as joias no penhor, não é apenas um sinal de que está precisando de dinheiro, mas também uma forma de guardar as joias que não estão sendo usadas, num cofre seguro?, diz o designer Alcy Ramalho, destacando que preço do ouro oscila, mas não perde o valor de maneira drástica. Ramalho lembra que, quando entrou no mercado, há cerca de 20 anos, o metal ouro estava em altíssima cotação; depois caiu e voltou a ficar em ascensão nos últimos anos, diante da crise mundial. Comerciante sustenta a família há vinte anos O comércio do ouro não deixa dúvida de que está em ativa e não perde espaço. É disso que vive, há mais de 20 anos, a família do comerciante Cícero Pereira da Silva, dono de uma loja de joias e semijoias, no Centro. Com ele, trabalham a mulher, os filhos e três funcionários e ele confessa que nã tem do que reclamar. ?Não dá para ficar rico, mas dá para viver. É assim que sustento minha família esses anos todos: negociando com metais. E nesse mercado, sempre tem que compre e quem venda?. Como pequeno comerciante, Cícero confessa que não dá para sentir, na venda do ouro, o reflexo do momento econômico mundial. ?Para gente, isso ocorre de forma mais lenta, mais sutil. Tem a ver com a insegurança, também. Com a violência crescendo, assalto em todo canto, não se compra mais ouro para usar por aí, como antigamente. Hoje, a maioria das pessoas compra para investir ou para presentear. Para usar, preferem a prata ou os folheados?, diz ele. Francisco Rosário: para ele, é preciso estar atento Quem tem acima de R$ 500 mil, geralmente sabe bem o que fazer com o dinheiro, e o caminho melhor, na avaliação do economista, é mesmo investir em ações Recomendação é variar investimento em ativos Para quem tem entre R$ 100 mil e R$ 500 mil, Francisco Rosário recomenda investir metade em ativos reais (poupança, imóvel, ouro, etc) e a outra metade em ações de empresas sólidas, como a Petrobras e Vale do Rio Doce. Quem tem acima de R$ 500 mil, geralmente sabe bem o que fazer com o dinheiro, e o caminho melhor, na avaliação do economista, é mesmo investir em ações, títulos do governo, fundos de renda fixa e imóveis. Bolsa já perdeu 12,6 mil investidores | VANESSA STECANELLA - Agência Estado São Paulo, SP ? A queda de dois dígitos do Ibovespa no acumulado do ano está mantendo os investidores pessoa física fora do mercado acionário ao contrário dos planos da própria BM&FBovespa de ampliar essa base. Profissionais do mercado avaliam que esse tipo de investidor ainda não se sente seguro em deixar recursos aplicados em bolsa durante períodos turbulentos. Para eles, o retorno desses investidores só será possível quando a Bovespa engatar uma melhora e sustentar seguidas altas frente as perdas acumuladas de 20% no ano. Desde o começo do ano, a Bolsa perdeu 12.682 pessoas físicas, reduzindo para 598.233 essa base de investidores. A ideia, no fim do ano passado, era ter 5 milhões de CPFs cadastrados até 2015, mas diante da turbulência que se abateu nos mercados, a estimativa do prazo para alcançar a meta foi revista para 2018.

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