Economia
Falta de investimentos prejudica coco
Brasília, DF ? A falta de investimentos previstos, ausência de treinamento de produtores e desleixo com a questão sanitária devem provocar o fracasso da medida mais dura de defesa comercial autorizada pela Organização Mundial do Comércio (OMC) no Brasil: a salvaguarda do coco ralado. A ação foi implantada em 2002 e previa a recuperação da indústria nacional até julho de 2012, mas compromissos não foram cumpridos e a abertura comercial no ano que vem será o golpe de misericórdia da indústria no País. ?O mercado não aproveitou a proteção dada pelo governo?, disse o engenheiro agrônomo Humberto Rollemberg Fontes, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). ?Se nada for feito, teremos que nos acostumar com as belas imagens do nosso coqueiral apenas como formadoras da paisagem cênica do nosso litoral?, acrescentou o pesquisador em artigo enviado à reportagem. Há cinco anos, o Brasil exportou 44 toneladas e importou 2,7 mil toneladas de coco ralado. Em 2010, a venda caiu para 19,6 toneladas, enquanto a importação disparou para 5,3 mil. Governo opta por protecionismo Brasília, DF ? O governo brasileiro optou por um protecionismo estilo ?coco ralado?, que apenas adia a competição com produtos asiáticos, ao mesmo tempo em que incentiva a indústria doméstica a se acomodar com reservas de mercado. Como resultado, dizem especialistas, os consumidores tendem a pagar preços mais elevados por produtos de menor qualidade. O estilo protecionista brasileiro pode ser compreendido ao se analisar a medida comercial mais dura adotada nos últimos anos: a salvaguarda para o coco ralado, que reserva o mercado nacional para os produtores locais, exigindo, em contrapartida, investimentos para que a indústria se torne apta a competir. Após nove anos em vigor, ?o que a gente constata é que pouco ou nada foi feito?, atestou Fontes.