Economia
Setor de aluguel de im�veis recua 12%
Responsável pela administração do departamento de aluguéis da Márcio Raposo Imóveis, a economista arapiraquense Gilvane Nunes estima entre 10% e até 12% a queda da demanda por imóveis para alugar em toda a cidade, mas principalmente na região em que a empresa concentra a maior parte de seus negócios: os bairros de Pajuçara, Ponta Verde, Jatiúca e Cruz das Almas. Isso se justifica pelo crescimento da oferta de imóveis financiados pelo Programa Minha Casa, Minha Vida, permitindo a quem pagava aluguel investir na aquisição do primeiro imóvel pagando prestação igual ou então inferior ao aluguel. ?As mudanças nas regras de financiamento também beneficiaram quem tinha intenção de comprar imóvel?, explica a especialista. Alguns dos inquilinos que desembolsavam entre R$ 800,00 e R$ 1.200,00 (média dos valores de aluguéis na parte baixa da capital) preferiram investir os mesmos volumes na prestação do imóvel que, no futuro, será propriedade sua. Programa faz consumidor migrar de área O Programa Minha Casa, Minha Vida livrou milhares de alagoanos do pagamento do aluguel, mas a ?lucrativa? indústria do imóvel alugado não deixará de existir porque milhares de cidadãos que se emancipam do ambiente paterno a cada ano vão continuar recorrendo à casa alheia para iniciar vida independente. Eis a opinião do corretor de imóveis Vilmar Pinto, atual presidente do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci/AL), entidade que congrega 2.800 profissionais, dos quais 2.000 estão ativos e faturando muito bem em imobiliárias da capital e do interior também. Profissional experiente com mais de duas décadas de atuação no ramo imobiliário ? da intermediação do aluguel à venda de imóveis ?, Vilmar enfatiza que os vultosos investimento do Governo Federal no sentido de facilitar a vida de quem quer financiar imóveis não significa o fim da demanda pela morada alugada. Localização define valores do imóvel A publicitária Vanine Cedrim, 29, pesquisou durante dois meses, entre as diversas ruas de três bairros da parte baixa da capital, até encontrar o apartamento de dois quartos que atendesse às suas necessidades e cujo valor do aluguel se encaixasse com tranquilidade em seu orçamento. Casada com um publicitário e mãe de um bebê, Vanine residia até três anos atrás no Conjunto José Tenório, localizado no bairro da Serraria. O casal passou uma temporada no Recife (PE) e, quando decidiu regressar à capital alagoana, fez opção incondicional pela moradia no bairro do Stella Maris. ?Além do valor do aluguel, que não poderia passar dos R$ 1.200, fizemos questão de encontrar um perto de áreas de lazer e de toda uma rede de prestadores de serviço. A ideia era ter acesso fácil, por exemplo, a agências bancárias e supermercados?, explicou à Gazeta de Alagoas. Rede de serviços justifica preço elevado Dona de imobiliária batizada com seu próprio nome, a empresária Arleide Buarque dos Reis confirmou à reportagem da Gazeta de Alagoas que a rede de serviços e a infraestrutura urbanística superiores a existentes em bairros periféricos são fatores que justificam os preços elevados dos aluguéis de apartamentos na parte baixa da capital. ?Quem não quer morar diante de rua asfaltada, com saneamento básico, perto de escolas, restaurantes e supermercados??, questiona, referindo-se à Ponta Verde, por exemplo, onde está o metro quadrado mais caro da capital. Naquela região, o preço médio do aluguel nos imóveis a poucas quadras da praia gira em torno de R$ 1.300. O aluguel de imóvel do mesmo tamanho no bairro do Farol cai para R$ 900, em média, por causa da insipiente rede de serviços nas imediações da morada. Mas a localização do imóvel em área nobre nem sempre é sinônimo de lucratividade elevada para o dono da morada. ?Administro imóveis no mesmo prédio, mas com valores de aluguéis diferenciados. A mesma vista para o mar abaixo do que cobra o vizinho porque o imóvel tem acabamento muito simples ou nenhuma mobília?, explica Arleide Buarque. Maceió tem 72,7 mil imóveis locados Dados do mais recente censo demográfico realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que Maceió tem 274.059 imóveis, dos quais 186.647 são próprios (ocupados pelos donos) e 72.707 são alugados. Outros 13.572 imóveis são cedidos pelos proprietários aos seus atuais ocupantes. Dos 842.884 imóveis visitados pelos pesquisadores do instituto em Alagoas, 612.940 são próprios, 149.485 são alugados e outros 76.477 são cedidos. Dos imóveis disponíveis para aluguel, mais de 50% estão na capital do Estado onde o deficit habitacional supera as 120 mil habitações, de acordo com dados divulgados pelo governo do Estado. 96,45% dos que ainda não tem casa própria se concentram na faixa de renda familiar de até três salários mínimos. A carência de moradia, dizem números locais, é maior no meio urbano (72,32%), onde o maior problema é a coabitação familiar (domicílios com mais de uma família convivendo). Já no meio rural, predominam as habitações em condições precárias.