Economia
Planos funer�rios conquistam clientes
Não há números precisos sobre o lucrativo ramo funerário em Alagoas. Sabe-se que o setor, composto por dezenas de empresas, emprega milhares de funcionários e amplia seu volume de negócios à medida que a população assimila a ideia de que planejar o funeral da família com antecedência é um excelente negócio. O alerta acerca das eventuais dificuldades em providenciar funeral às pressas é o que impulsiona a venda de serviços que beneficiarão o titular, nove dependentes e três agregados. ?O negócio cresce à medida que as classes C, D e E entendem a necessidade de se prevenir para que não se desfaça de bens só porque precisa custear o funeral de um familiar?, reconhece o empresário Eugênio Sampaio. Diretor comercial do Previda, um dos mais novos planos de assistência funeral de Alagoas, o empreendedor confirmou que, em oito anos de existência, o negócio já contabiliza 500 mil associados. Estes estariam incluídos em mais de 38 mil planos já comercializados pela empresa. Profissionais têm padrão de vida acima da média José Cícero da Silva, 42 anos, é um dos milhares de alagoanos que abraçaram a ofício de agente funerário por acaso e que, depois de se especializarem na difícil arte de preparar o corpo para sepultamento, desfrutam de confortável padrão de vida porque não estão presos ao salário em si. Incrementam o rendimento à medida que elevam seus índices de produtividade. ?Não tenho do que me queixar. Ganho até mais do que precisaria para sobreviver?, contou José Cícero. A exemplo de outras atividades comerciais, quem se destaca também no ramo funerário é disputado pela concorrência. Aproveitam, então, a oportunidade de faturar um pouco mais, labutando em ambiente com mais estrutura. É o caso do quebrangulense José Cícero, que chegou em Maceió em 1989 para fazer teste como cobrador numa empresa de transporte de passageiros. Reprovado na avaliação, teve uma única alternativa ao desemprego: aceitar o convite de um parente para auxiliá-lo numa funerária na periferia da capital. Clientes planejam com antecedência Maria Nazaré de Lima assinou contrato com uma empresa administradora de plano de assistência funeral seis anos atrás imaginando que seria ela a primeira a utilizar os serviços acordados em contrato. ?Jesus ainda não me quis, meu filho! Continuo viva, mas com tudo preparado para o futuro!?. Muito bem-humorada, a aposentada de 76 anos disse à reportagem da Gazeta ter sentido a utilidade do planejamento que fez mesmo sem concordância familiar quando dois de seus filhos tiveram a vida abreviada enquanto dormiam num dos cômodos de sua residência, no Pinheiro, em Maceió. ?Ele não acordou para o café. Chamamos o médico, que constatou o óbito. Foi aquele sofrimento?, recorda. Ela telefonou para a filha mais velha e lhe indagou sobre o o pagamento das mensalidades de R$ 18 do carnê de pagamento do plano de assistência funerária que tinha contratado em 2006. Com os pagamentos em dia, bastou um telefonema à empresa para que tudo se resolvesse. O corpo foi recolhido, levado ao setor de verificação de óbito do poder público. Solucionadas as exigências burocráticas, o corpo higienizado e levado ao local do enterro numa urna ?de qualidade?. José Feitosa Cemitério é rentável desde a sua fundação O Campo Santo Parque das Flores é negócio rentável desde a sua fundação, há 38 anos. Funciona 24 horas, todos os dias da semana, e seus mais de 70 funcionários labutam com propósito de prestar assistência ao cliente que vai ocupar seu pedaço de chão naquele jardim florido. Primeiro cemitério privado de Alagoas, o empreendimento foi inaugurado em 1973 pelos amigos empresários e sócios Geraldo Sampaio e Mário Fortes Melro, que copiaram a ideia de um ?campo santo? depois de observar projetos semelhantes em cidades dos Estados Unidos da América (EUA). Os idealizadores atenderam ao chamamento divino e seus herdeiros não tiveram alternativa senão assumir as rédeas da necrópole com 15 mil jazigos. ?Já temos 14 mil moradores. Daqui a quatro anos, é provável que nosso jardim esteja lotado?, avisa Cláudio Bentes, atual diretor do cemitério. Engenheiro civil, Cláudio se afastou da gerência de sua construtora quando a família Melro assumiu o controle do empreendimento, que tem folha salarial de R$ 100 mil, além dos mais de R$ 30 mil de encargos trabalhistas previstos na legislação nacional. Faturamento é de R$ 5,8 mil Se fosse negócio privado, o cemitério São José, no bairro do Trapiche da Barra, seria considerado inviável por causa de sua pífia arrecadação de taxas de administração junto aos descendentes dos que lá estão sepultados. Anualmente, a arrecadação não ultrapassa os R$ 70 mil. O faturamento médio de pouco mais de R$ 5.800 mensais talvez justifique a precariedade de suas instalações. À exceção da rua principal da mais antiga necrópole de Maceió, as demais são de uma precariedade indescritível. Nem mesmo a maquiagem horas antes do Dia de Finados ameniza a situação. ?A arrecadação é baixa, mas é com ela que fazemos a manutenção do cemitério. Pagamos os funcionários, compramos material de limpeza, pás, vassouras, tinta, etc?, justifica-se Victor Franklin Martins de Almeira, diretor do Departamento de Cemitérios da Superintendência Municipal de Convívio e Controle Urbano (SMCCU). Trinta e duas pessoas labutam no cemitério ?preferido? das classes menos favorecidas. Embora o município tenha oito espaços para atender à demanda dos que encerram sua missão em solo maceioense, a procura pro covas no São José supera, e muito a média, da concorrência.