Economia
Ver�o gera renda extra a comerciantes da orla
?Mergulhar no azul piscina, no mar de Pajuçara...?. Por trás desse desejo, eternizado nos versos do alagoano Carlos Moura, há um fator que faz com que o verão em Maceió vá além de uma estação de sol forte apenas. Com números animadores a cada ano, o período chega com esperança para empresários e trabalhadores informais. Não é de hoje que a natureza em Alagoas alia beleza a divisas ? garantindo a sobrevivência de muita gente. O destino Maceió, como falam os operadores de turismo, se consolida e disputa espaço com outras capitais nordestinas. Juntos, empresários da rede hoteleira, gastronômica, da área de diversão, taxistas, guias, vendedores e pequenos comerciantes integram nossa cadeia turística. Alternativa de emprego para milhares de trabalhadores que estão fora do segmento industrial, a alta estação é considerada o 13° salário ou até mais que isso para alguns segmentos. ?Só preciso do sol, porque o resto é comigo e minha família?, ressalta, em meio a um amontoado de cadeiras e sombreiros, a ex-empregada doméstica Gildente Oliveira da Silva, 43 anos. Estudante gerencia negócios O estudante Carlos Henrique Júnior, 22 anos, é outro que nutre boas expectativas com a chegada do verão. Trabalhando desde os 13 anos, ele vende acarajé e cocadas num tabuleiro cheio de cor e organização. Herdeiro de uma tradição iniciada pela mãe, atualmente toca o ?negócio? da família. ?Minha mãe foi quem trouxe esse acarajé para cá. Agora mesmo ela está viajando pelo Nordeste com meu pai e eu e meus irmãos somos quem cuidamos do que está por aqui?, conta. ?Temos três pontos espalhados pela cidade. Onde tem eventos, nós estamos. Mas a praia é coisa certa. Na temporada, minha mãe volta, porque o consumo aumenta?, explica o rapaz. Artesanato encanta turistas Oficialmente, a alta temporada tem início a partir do dia 26 de dezembro até o mês de março, após o carnaval. Entretanto, a movimentação da cidade já é diferenciada a partir de novembro, por conta do feriado da Proclamação da República. Este ano, a data ter caído numa terça-feira favoreceu os pacotes turísticos. Neste dia, quando a reportagem percorreu as praias da cidade ? entre o Posto Sete, na Jatiúca, e o Atlantic, na Pajuçara ? e a Feirinha de Artesanato, milhares de pessoas se dividiam entre a areia e a compra de lembranças com o nome da cidade. Entre uma venda e outra, Rosana Andrade, que há três anos comercializa artigos comprados por sua irmã, contou que a família investiu com bastante antecedência para o período. Segundo relatou, algumas peças começaram a ser encomendadas ainda em setembro. Desde o início deste mês, os novos modelos já estão devidamente expostos para atrair o interesse dos visitantes. Empresário aposta em sorvetes exóticos Há quem aproveite o verão para apostar no calor ? sem trocadilhos ? das oportunidades. É o caso do empresário Mário Dias, que trouxe para Alagoas a franquia Delícias do Cerrado. Com sabores exóticos ? de frutas comumente encontradas no Nordeste ?, a empresa quer conquistar o paladar e refrescar os gostos mais variados. Tanto que, para firmar a proposta, está com uma Van-Sorveteria, ao lado da Feirinha do Artesanato. O espaço, que serve de vitrine e, ao mesmo tempo, ponto avançado de degustação da loja localizada no bairro da Jatiúca, chama a atenção. ?Queremos é que faça mesmo muito calor, para seduzir o consumidor com essas novas delícias?, diz Jean Carlos Queiroz, 46 anos. Alta temporada exige planejamento Ao mesmo tempo em que os novos negócios também buscam ter suas vendas aquecidas, quem já atua no setor turístico há anos sabe que investir na hora certa é fundamental. É o caso do segmento hoteleiro. De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Hotéis em Alagoas, empresário Carlos Gatto, a alta temporada exige atenção e planejamento de quem quer garantir estabilidade. ?Para nós, a alta temporada é mais que um 13° salário. Significa 40% do resultado de nosso faturamento anual. Felizmente, os investimentos na imagem têm contribuido para trabalhar o destino (Maceió) como um todo?, justificou Carlos. Chegada de turistas faz crescer postos de trabalho Para o economista Cícero Péricles, é notório que, com a chegada dos turistas, o número de empregos aumenta. ?É assim todos os anos. Hotéis, restaurantes, bares e todos os pontos comerciais voltados para o atendimento aos turistas fazem mais contratações. Os recursos injetados na economia são altos, gerados pelos empregos do setor e despesas dos visitantes?, aponta. Com olhar atento para o movimento formal de empregos, o economista percebe a injeção também no setor informal. De acordo com sua sua análise, os ?gastos individuais em larga escala deixam também dinheiro que movimenta a economia local?.