Economia
Custo de vida subiu 108% nos �ltimos 8 anos
FÁBIA ASSUMPÇÃO O custo de vida subiu nos últimos oito anos 108%, de acordo com dados do Dieese, mas os salários dos trabalhadores não acompanharam esse crescimento. Só para se ter uma idéia, o preço do frango subiu 103%; da carne bovina 345%; o gás butano 763% e o transporte 203%. A assessoria técnica da Coordenadoria de Planejamento da Secretaria de Planejamento realiza, mensalmente, o levantamento do custo de vida e o valor da cesta básica em Maceió. O resultado do último levantamento, no mês de agosto, apontou que o Índice de Preço ao Consumidor (IPC) (custo de vida) na cidade de Maceió apresentou uma variação de 0,5%. Os subgrupos verduras, legumes, frutas, carnes, vísceras, cereais, produtos industrializados, artigos de cama, mesa e banho, principais bens duráveis e artigos diversos foram os que mais influenciaram na inflação deste mês. Segundo o resultado de agosto, a variação acumulada neste ano foi de 3,37 pontos percentuais e nos últimos seis e doze meses foi de 2,57 e 7,10 pontos percentuais, respectivamente. De acordo com a pesquisa realizada pelos técnicos da Seplan, as variações percentuais dos grupos componentes do IPC, em agosto foram: alimentação (0,26), habitação (1,40), artigos diversos (-4,79), despesas pessoais (0,87), fumo e bebidas (-1,54), artigos de vestuário, calçados e tecidos (0,17), transportes (0,25), saúde (1,17) e educação (-0,32). O assessor técnico da Coordenadoria de Planejamento, Ilmo Wanderley Gallindo, explicou que também é feito o levantamento do valor da cesta básica, uma das componentes do custo de vida. Em agosto, o valor da cesta básica comprometeu 48,3% do salário mínimo. Isso significa dizer que o trabalhador maceioense gastou R$ 96,46 com alimentação, independentemente de outras despesas necessárias a sua sobrevivência. A cesta básica alimentar apresentou um acréscimo em relação a julho de 1,19 ponto percentual. O preço da carne teve uma elevação de 2,-2: leite ?4,55; feijão ?9,90; farinha de mandioca ?1,04, pão francês 1,35; café 3,81; banana 0,71; açúcar 1,02; óleo de soja 9,14 e manteiga 0,20. Os itens arroz e tomate não apresentaram aumento nem baixa em agosto. Sobrevivência O economista Adelmo Motta, da Cooperativa dos Trabalhadores Ambientalistas, explica que como não tem havido o crescimento da massa salarial nos últimos anos, em qualquer nível de renda, o trabalhador passou a ter retração no consumo. Para conter a perda salarial, com o aumento do custo de vida, o economista afirma que os trabalhadores não têm outra alternativa a não ser restringir efetivamente tudo o que se possa considerar não essencial, a exemplo do lazer. Segundo Adelmo, essa situação de achatamento do valor dos salários leva, hoje, a imensa massa de trabalhadores que sobrevive com um salário mínimo a buscar formas alternativas de complementar o orçamento doméstico, com os chamados bicos. ?São reflexos dessa situação o trabalho infantil, já que muitas pais levam os filhos a trabalhar para complementar a renda familiar, e nem os programas para acabar com o trabalho infantil têm conseguido o resultado esperado ou mesmo investir na atividade informal para suprir suas necessidades básicas?. O economista ressalta que não existe parâmetro, atualmente, para dizer como uma pessoa consegue viver com um salário mínimo. Se fosse levado em conta o que a Constituição estabelece em relação ao comprometimento do salário somente com a cesta básica, uma família composta de um casal e dois filhos gastaria R$ 390,00 apenas com alimentos. Isso significaria dizer que o salário mínimo deveria ser, no mínimo, de R$ 690,00. ?Se o valor da cesta básica tiver um crescimento ao ano de 2%, quando o trabalhador tiver o aumento do salário mínimo em 2003, já estará comprometendo 78% de seus salários com a compra de alimentos que compõem a cesta básica?. O aumento do custo também vem elevando o índice de endividamento dos trabalhadores, independentemente da faixa salarial. Hoje, de acordo com Adelmo, os juros giram em torno de 10%, seja no cheque especial ? bastante utilizado pela classe média, seja os dos agiotas aos quais a maior parte das pessoas de baixa renda recorre.