loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Economia

Economia

Bandeira 2 representa 13� sal�rio para taxistas

Ouvir
Compartilhar

Os 3.050 taxistas com autorização para circular em Maceió têm até o próximo dia 6 de janeiro para incrementar seu faturamento e garantir rendimento extra, ou 13º salário. É que, até lá, eles têm autorização legal para cobrar R$ 2,25 pela bandeirada, 20% acima do valor tradicional, R$ 1,81. ?É neste período que o taxista trabalha dobrado e tenta garantir aquele reforço de fim de ano?, comenta Ubiraci Correia, atual presidente do Sindicato dos Taxistas de Alagoas. ?Parte considerável deste faturamento vem do crescimento da demanda nas vésperas de Natal e Ano Novo?, completa. Os profissionais taxistas batizaram o reajuste de fim de ano de ?bandeira 2?. Trata-se da cobrança por cada quilômetro percorrido, mais a soma de R$ 3,30 que é cobrada quando o cliente senta no banco do automóvel que o levará a quaisquer pontos da cidade, 24 horas por dia, inclusive feriados. O reajuste temporário no valor de cada quilômetro percorrido em Maceió é o mesmo cobrado em Arapiraca, cidade que mais cresce no interior do Estado e onde há 302 taxistas legalizados. No interior ou na capital, os profissionais também se beneficiam de uma demanda pouco comum. Faturamento pode chegar a R$ 500 ao dia Em casos onde o cliente demora para resolver o problema, boa parte dos profissionais prefere assumir o compromisso de retornar ao local e pegar o cliente que pagaria para que o condutor estivesse parado e à sua disposição. ?Numa hora de circulação, é possível faturar até duas vezes mais atendendo à clientela em pontos diversos da cidade. E quanto um taxista fatura num dia de muito movimento? Ubiraci faz as contas e explica ser possível conseguir faturamento de até R$ 500 com um veículo que esteja sendo utilizado 24 horas. Justifica-se: proprietários de táxis costumam trabalhar com um ou dois auxiliares, que são locatários do automóvel. Cada um deles, explica Ubiraci, paga ao proprietário diária que varia entre R$ 50 e R$ 70, além de ter que devolver o tanque do automóvel com a mesma quantidade de combustível quando de seu recebimento. ?Mesmo assim, o profissional consegue livrar (faturar) mais de R$ 118 por dia?, completa Ubiraci. Clandestinos prejudicam negócios Os integrantes da diretoria do Sindicato dos Taxistas de Alagoas afirmam que, embora haja crescimento da demanda pelos serviços da categoria no mês de dezembro, o faturamento médio de cada profissional tende a ser 20% inferior ao registrado em anos anteriores, por causa da proliferação do transporte clandestino. Ou seja: a bandeirada com valor reajustado garante acréscimo do rendimento, mas este poderia ser maior. Não é, na visão dos sindicalistas, porque há profissionais disputando espaço, em pontos estratégicos da cidade, com taxistas ?piratas? ou clandestinos, além, é claro, dos mototaxistas, que ?pipocam? em toda a capital. ?O descontrole é imenso por parte das autoridades. Não há fiscalização capaz de coibir tanto carro pirata cobrando qualquer valor pela corrida?, queixa-se Ubiraci Correia, profissional taxista que atua na capital há duas décadas. ?Comecei a trabalhar com uma Brasília com pneus recauchutados (renovados)?, lembra.encial dentre os concorrentes da época. ?Hoje, a moda é fazer acordo e combinar preço, principalmente quando a viagem é longa?, ressalta o profissional. ? Prestação de serviços é alternativa Uma alternativa à queda de faturamento dos profissionais que atuam de forma autônoma é a prestação de serviço em parceria com as empresas que detêm concessão estatal para utilização de frequência de transmissão de rádio, por meio da qual o taxista recebe orientação sobre o cliente que o espera em local e horário agendados. ?A grande vantagem desta modalidade é ter cliente certo de manhã, de tarde e à noite. A desvantagem, ao meu ver, são as taxas que você precisa pagar para o dono do negócio?, analista o autônomo Gilson Gomes, segundo o qual há profissional que paga até R$ 300 por mês para dispor do serviço de captação de clientes. Seu funcionamento é simples. Depois de conseguir junto à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) a concessão para implantação do sistema de transmissão de rádio, o dono do negócio contrata entre dois e oito funcionários para se revezar no atendimento à clientela por meio do sistema telefônico. Setor reconhece vantagens da parceria A reportagem fez contatos com alguns assessores dos donos destas centrais, na tentativa de mostrar como seus negócios são gerenciados, mas não recebeu resposta positiva quanto às solicitações de entrevista. Taxistas ouvidos pela reportagem, mas que não quiseram se identificar, reconhecem as vantagens da parceria. ?Você paga pela utilização do equipamento de rádio e para dispor da imensa relação de clientes cadastrados pelo pessoal da central. Ou seja, a gente não precisa cadastrar clientes. Estes já estão nos computadores da central e são atraídos 24 horas por dia, todos os dias, pelas promoções e pelos descontos?, explicou um deles. Pelo menos 20 empresas privadas atuam neste ramo em Maceió. Disputam a fidelidade da clientela, oferecendo descontos que variam entre 10% e 20%. Na prática, quem concede a redução no preço é o dono do táxi, que geralmente leva um passageiro e, no regresso, consegue outro para elevar seu faturamento. Cooperativa tem 30 mil clientes cadastrados No princípio, a ideia pioneira de unir, em Maceió, 30 taxistas numa cooperativa que atenderia à clientela por meio do telefone fixo parecia ser inviável. Parecia. 24 anos depois da fundação da cooperativa, batizada simplesmente de Tele Táxi, prosperou. Rendeu frutos, rendimentos, e atraiu milhares de clientes. Atualmente, 140 profissionais circulam pelas ruas da capital ostentando o adesivo ? e pondo em prática a filosofia da cooperativa ?, na tentativa de prestar serviço adequado aos 30.000 clientes cadastrados no banco de dados da empresa, que tem sede própria no bairro do Feitosa. Ao contrário do negócio privado, em que somente o dono lucra com a prestação do serviço, na cooperativa tudo é compartilhado: despesas de manutenção e pagamento dos salários de funcionários. Ao término de cada ano, os cooperados também rateiam parte do apurado ao longo dos 12 meses de arrecadação. ?Felizmente, cada um de nossos cooperados tem faturamento médio de R$ 3.000 por mês. Outros trabalham além do horário comercial, e assim conseguem elevar seu rendimento para até R$ 5.000?, observa o taxista Roberval da Silva Dantas, atual presidente da primeira cooperativa de taxistas de Alagoas. Central de atendimento faz a diferença A sorridente Sueli Bittencourt trabalha há 17 anos atendendo à clientela da Tele Táxi. Em média, viabiliza 200 pedidos por dia aos clientes que telefonam à cooperativa. Conta com o auxílio do cadastro digitalizado para atender com rapidez à demanda da clientela, que é sempre muito exigente. ?Cliente geralmente é muito apressado também. Nossa missão é recepcionar o pedido e direcioná-lo aos taxistas da cooperativa o mais rápido possível?, comentava Sueli, na tarde da última quarta-feira, enquanto consultava os dados referentes a uma cliente residente num dos bairros da orla marítima. O sucesso de qualquer negócio depende da conexão com os anseios da dos clientes. Na cooperativa, não seria diferente. ?Há passageiro que tem preferência pela viagem num determinado tipo de automóvel. Direcionamos a corrida ao profissional cujo equipamento se encaixa na preferência do cliente?, comenta. Convênios rendem R$ 80 mil mensais Além do cliente pessoa física, a cooperativa fechou negócio com empresas públicas e privadas que dependem do serviço de transporte de funcionários ou documentos para resolver suas pendências burocráticas. Atualmente, são 30 os convênios em vigor, que rendem em torno de R$ 80.000 mensais. Ao transportar, por exemplo, o funcionário de uma associação de servidores federais, o taxista emite uma nota contendo o valor do serviço e, depois da assinatura do passageiro, leva a segunda via à sede da cooperativa. O conveniado paga pelo serviço em até 45 dias, mas o cooperado recebe 15 dias depois. ?A gente antecipa os pagamentos de acordo com a disponibilidade de recursos no caixa da cooperativa. Eis uma das vantagens de se trabalhar de forma cooperada?, avalia Roberval Dantas, segundo o qual cada um dos integrantes do grupo desconta 11% de INSS para ter direito à aposentadoria no futuro.

Relacionadas