Economia
Com�rcio da Barra tira proveito da alta esta��o
Barra de São Miguel ? O gerente do supermercado, o superintendente do hotel de luxo, a gerente da pousada, a dona da peixaria e o proprietário do minúsculo açougue confirmam o que parece ser tradição: a economia da Barra de São Miguel, na região metropolitana de Maceió, vive à míngua na baixa temporada, mas com expectativa de quadruplicar o faturamento em pouco mais de dois meses. ?O que vendo em dezembro e janeiro muitas vezes não consigo vender ao longo dos outros dez meses de baixa temporada turística, quando preciso de muito esforço para pagar o aluguel do ponto?, confessa Valdilene Alves de Melo, proprietária de uma pequena peixaria cujo ?grosso da freguesia? reside em Maceió e só aparece na cidade quando está de férias. O município de 7.573 habitantes ? segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ? tem como força motriz de sua economia as atrações turísticas, razão pela qual o contingente populacional triplica entre dezembro e janeiro, às vezes início de fevereiro, período em que o comércio ?acumula gordura? para gastar nos meses seguintes. Pouco movimento faz estabelecimento fechar Barra de São Miguel ? Para não ter o ?desprazer? de demitir na baixa temporada, quando só tem cliente residente na própria cidade, o açougueiro Marcelo Henrique fez opção pelo trabalho solitário. Relaxa no período de pouco movimento e triplica seu esforço na alta temporada. ?Uso a criatividade para atender à clientela que aparece aqui na alta temporada. É gente demais!?, comenta. Exemplo de quem não resistiu às moscas durante a baixa temporada a reportagem encontrou diante de uma pequena butique, no Centro da cidade. Trata-se da ex-empresária Carmélia Cavalcante. ?Pelo amor de Deus, meu filho. Na baixa temporada, dava até sono. Não tinha um pé de gente no bar. Ou fechava de vez ou então quebrava. Desisti do negócio?, lamenta. Pensa em abri-lo ao menos para desfrutar do mar de dinheiro que é injetado na cidade de janeiro até o fim do Carnaval? Resposta da experiente comerciante: ?De jeito nenhum. Isso só seria possível se houvesse movimento na cidade ao longo dos outros meses?. Como não há ? ou melhor, há muito abaixo da expectativa ?, a cidade parece deserta depois do reinado de Momo. Empresário espera elevar lucro em 40% Que resultados o empresário Luciano José da Silva espera alcançar na alta temporada, que começou em dezembro do ano passado e chega ao fim depois do Carnaval? ?Espero elevar em até 40% a média de faturamento em janeiro, e, se não houver dificuldades, superar os R$ 300.000 durante o período momesco?, diz. Normalmente, o negócio funciona com seis empregados, que se revezam em dois turnos. No início de dezembro, outros seis temporários tinham sido contratados. Quando o Carnaval ?explodir? nas ruas do município, serão 20 pessoas para atender aos turistas que aportam na cidade para esfriar o juízo refrescando a goela com bebidas diversas. Comerciante quase desiste de negócio na baixa temporada Barra de São Miguel ? Valdilene Alves de Melo revendia lagosta de porta em porta na Barra de São Miguel quando decidiu deixar o comércio ambulante e alugar um ponto onde pudesse montar um negócio próprio. Inaugurou, então, uma peixaria que sequer tem nome fantasia. Quase desistiu do negócio durante a baixa temporada. ?Quase não aparecia cliente?, recorda. A comerciante amargou pequenos prejuízos que tinham compensação nos meses seguintes, mas com faturamento muito aquém do necessário para manter a miúda empresa saudável financeiramente. Veio a alta temporada 2010/2011 e Valdilene fez a festa. Faturou perto de R$ 10.000 com a venda de frutos do mar e peixes diversos aos turistas que relaxavam na cidade. Açougueiro fatura R$ 3 mil ao mês Barra de São Miguel ? Situação semelhante à da comerciante Valdilene Alves de Melo vivencia o açougueiro Marcelo Henrique Santos, há duas décadas fatiando carnes e satisfazendo as exigências dos nativos ou turistas. Na tarde da última quarta-feira, ele interrompeu seu ofício para contar sua história à reportagem da Gazeta. ?O movimento aumentou muito nos últimos dias. Tem muito dinheiro circulando na cidade?, avisa. O profissional entende que baixa temporada representa ?sofrimento? aos pequenos empreendedores. Quando a cidade fica sem turistas, sejam eles da capital ou de outras regiões do Brasil, o faturamento médio mensal de seu negócio não ultrapassa os R$ 800. Entre dezembro e janeiro, o cenário é bem diferente. ?Aí, o faturamento supera os R$ 3.000 mensais com facilidade?. Supermercado muda estratégia de venda Barra de São Miguel ? O gerente José Arnaldo Santos ratifica que, durante a baixa temporada, o foco do negócio são os moradores. Na alta temporada, há uma inversão de estratégia e os colaboradores se desdobram para atender à clientela diferenciada. São veranistas ? em sua maioria residentes em Maceió ?, ou então turistas dos quatro cantos do País em hotéis, pousadas ou então em casas alugadas. Os ?forasteiros? contribuem para o acúmulo da gordura que será gasta ao longo do ano. ?O movimento da loja segue a tendência de ocupação da cidade e triplica de dezembro até o Carnaval?, comenta o gerente, segundo o qual seus 63 comandados também receberam instrução para não se assustar com a clientela em trajes sumários. ?A regra básica de nossa equipe é deixar o cliente à vontade, é atendê-lo da melhor maneira possível?. Empreendedores têm situação diferente O comerciante Anísio Vicente Ferreira, o ?Gordinho?, e o gerente Eliseu Barbosa têm faturamentos díspares e vivem realidades econômicas diferentes, mas têm algo muito em comum: esperam a alta temporada se estabelecer para elevar o faturamento dos negócios em que estão envolvidos para honrar compromissos e justificar seus salários. A expressão ?acúmulo de gordura? já foi incorporada pelos seus linguajares para fazer reverência ao período de ?vacas magras? que precisam enfrentar entre março e novembro. É tempo de muita paciência para manter negócios. ?Faturo no verão e gasto no inverno?, diz Anísio. ?O apurado da alta temporada a gente utiliza no resto do ano?, confessa Eliseu. Hotel investe em publicidade para atrair público Barra de São Miguel ? O comerciante Anísio Vicente Ferreira diz que o movimento só não é maior porque muitos turistas ficam pouco tempo na cidade. ?A maioria prefere o Gunga?, analisa, referindo-se à praia no vizinho município de Roteiro. Guardadas as devidas proporções, o principal empreendimento da cidade, o Village Barra Hotel, também amarga ocupação considerada modesta nos meses de baixa temporada. O empreendimento tem 198 leitos distribuídos por 74 quartos. Nos meses de pouca demanda, a ocupação dos cômodos oscila entre 40% e 80%, graças aos investimentos em publicidade em mercados regionais como Aracaju, Recife e Campina Grande, além de Arapiraca e Penedo. ?Entre 1,7% e 2% do nosso faturamento é destinado à publicidade para atrair turistas?. A empresa sente os resultados do plantio? Sim, responde o gerente. Os sergipanos, por exemplo, são o público que mais se hospeda no negócio. Alagoanos de Maceió, Arapiraca e Penedo também contribuem para o faturamento na baixa temporada. Quando chega o verão, a situação é diferente e os brasilienses, goianos, mineiros e paulistanos são maioria. Academia se instala durante o verão Barra de São Miguel ? O empresário Jonas Lucena, dono da academia Aquativ, montou, pelo segundo ano consecutivo, uma academia de ginástica para atender a clientela que, durante o verão, desloca-se à Barra de São Miguel mas faz questão de manter a boa forma física. ?Além da fidelização, a gente também consegue novos clientes para nossas academias em Maceió?, explica. Além de 150 clientes fixos que malharam na versão 2011, a previsão é de que haja superação deste quantitativo em janeiro, por causa da adoção de três pacotes de serviços que variam entre R$ 15 e R$ 150 e também são destinados aos turistas que visitam a cidade. ?Quem já tem hábito de se exercitar acha agradável a ideia de ter uma academia no local das férias?.