Economia
Vivendo ao sabor da mar�
Quando explodiu comercialmente no Brasil ? lá pela década de 1980 ? o surfe tinha como filosofia ?a vida sobre as ondas?. Trinta anos depois, o esporte se popularizou, virou sinônimo de verão, da moda e de um estilo saudável. Hoje, em seu entorno, muitos são os que vivem, literalmente, de ondas. A procura pelo esporte continua sendo o principal motor de um mercado que se expande ? seja com as aulas e aluguel de pranchas, ou a fabricação e comércio de acessórios. Para quem consegue fazer do mar o seu escritório e da habilidade, um dom de ser e fazer os outros felizes, trabalhar com surfe é um prazer imensurável. Pensando assim, o ex-sufista semiprofissional, Moab das Neves, 43 anos, é um exemplo de que prazer e negócios podem conviver de modo harmonioso. ?Nesse meu trabalho é estresse zero e ainda faço os outros felizes. Hoje, vivo da alegria dos outros?, atesta Moab, que há mais de 30 anos mora no Francês. Primeiro alagoano a sair numa revista nacional de surfe, dropando (descer do topo para a base) de uma onda grande, o filho de dona Lindinalva Ramos das Neves, 61 anos, tinha o privilégio de viver para o surfe. ?Até para ter prancha ele quebrou muito coco por aqui. Antes, aprendeu com um pedaço de madeira?, lembra a mãe, orgulhosa quando fala de Moab. Assim como os outros irmãos ? cinco no total ? a família das Neves, na verdade, cresceu entre um tubo e outro.