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Economista prev� dificuldades para novo governo devido � crise nacional

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FÁBIA ASSUMPÇÃO O próximo governador de Alagoas deverá enfrentar dificuldades nos dois primeiros anos de governo, reflexo da crise econômica que vem atingindo o País neste ano. Essa é a avaliação do professor do Departamento de Economia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Fernando Lyra. Para ele, seja quem for o novo presidente do Brasil, haverá uma nova orientação na política econômica, que vai acabar se refletindo nos Estados. O economista analisa que o Estado de Alagoas é excessivamente dependente dos recursos federais, porque não dispõe de uma poupança interna suficiente para investimentos nas áreas de educação, saúde, segurança, assistência social e outras. ?O que vem andando bem em Alagoas são os programas que dependem dos recursos federais, por isso o Estado tem que manter uma boa relação com o governo federal?, observa Lyra. Só que a crise econômica que o País enfrenta, que levou o presidente Fernando Henrique Cardoso a fechar um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) de US$ 30 bilhões ? para conter principalmente a alta do dólar - vai obrigar ajustes na política econômica. ?Se o governo federal não conseguir superar essa crise, todo o esforço será para pagar os juros da dívida do País e não sobrarão recursos para os Estados?. Fernando Lyra explica que a crise econômica enfrentada pelo Brasil é decorrente da alta dívida interna, que no início da década de 90 era de R$ 61 bilhões e agora chega a R$ 750 bilhões. Além disso, o superávit comercial - a balança entre importações e exportações ? está em nível baixo, não dando condições de o País honrar suas dívidas. ?Diante dessa situação, qualquer problema externo tem reflexo aqui no Brasil?. Problemas Entre esses problemas externos está a perspectiva de que a economia americana não está tão saudável ? prova disso são os balanços fantasmas de grandes empresas norte-americanas ? aliada à crise na Argentina, no Uruguai, na Venezuela e certo ponto na Colômbia. ?Com o Brasil vulnerável, o dólar tende a disparar e por outro lado há um quadro político por ser um ano eleitoral, que dá margem a muita especulação e amplifica a crise?. A alta da moeda americana reflete a pouca oferta de dólar no mercado e, como o governo não tem o suficiente para compensar isso, teve que recorrer ao empréstimo do FMI. Para Fernando Lyra, o suporte de US$ 30 bilhões concedido pelo Fundo é suficiente para acalmar o mercado e deixar o valor do dólar num índice considerado ideal e seguro. ?Esse dinheiro, no entanto, não resolve o problema principal, que é a questão das dívidas. Mas é importante para evitar uma crise que pode trazer dificuldades para os países que mantêm negócios no Brasil como a Espanha, além de bancos franceses, americanos e alemães. ?O ideal é que a cotação do dólar fique entre R$ 2,50 a R$ 2,70. Cada vez que o dólar se valoriza, o País fica mais pobre e o poder aquisitivo da população também diminui, pois diversos setores necessitam de produtos importados para produção de seus equipamentos?.

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