Economia
Alagoanos sobrevivem sem rela��o com bancos
Liliane Araújo dos Santos, 25 anos, não deposita dinheiro em nenhuma conta bancária. Também não utiliza cartão de débito ou crédito para comprar roupa ou alimentação. Administra os R$ 102,00 que recebe do Bolsa Família mensalmente como se não houvesse banco em Alagoas. Mãe de uma filha de dois anos ? razão pela qual recebe o subsídio estatal ?, Liliana faz parte dos 36% da população brasileira excluída do sistema bancário, de acordo com dados da pesquisa sobre inclusão financeira divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Desempregada desde o nascimento de sua herdeira, também se encaixa noutro item do levantamento ?Retratos da Sociedade Brasileira: Inclusão Financeira?, realizado pelo Ibope: aquele segundo o qual 88% da população que usam dinheiro dinheiro em espécie com principal forma de pagamento. ?Pego o dinheiro num caixa eletrônico e trago todo para casa. Guardo em local seguro e vou administrando as despesas de minha filha. Pago tudo com dinheiro vivo. E não compro nada fiado?, explicou à Gazeta, que fez dezenas de contatos até encontrá-la no conjunto Benedito Bentes II. Se dependesse do contato com um bancário para guardar dinheiro, teria dificuldade. É que o conjunto onde vive, integrante do maior complexo habitacional de Alagoas, não tem banco algum. ?O banco mais próximo não está tão próximo assim?, comenta, referindo-se às agências do Shopping Pátio Maceió, no Tabuleiro. Quando precisa pagar contas de água e de luz, Liliane sofre nas imensas filas de uma casa lotérica, correspondente bancário mais próximo. Neste caso, faz parte dos 79% da população brasileira que recorrem às lotéricas, correios e supermercados para honrar compromissos. Ela até já pensou em abrir conta, mas desistiu porque achou inviável guardar pouco dinheiro e ainda ter que pagar taxas de administração. ?O melhor mesmo é deixar o dinheiro guardado em casa. Nada de pagar para fazer depósito em banco?.