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Economia

“Falta de recursos inibe a abertura”

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Gazeta. Qual seria a explicação para o fato de 36% da população não terem acesso aos serviços bancários? Falta de condições de pagar taxas bancárias? Cícero Péricles. Por uma combinação entre a baixa renda e as dificuldades de acesso ao sistema bancário. A falta de recursos financeiros inibe a abertura de uma conta, mesmo a mais simples. Como a maioria da população economicamente ativa recebe até um salário mínimo, o nível de bancarização, nestas condições, será sempre baixo. Além disso, a pobreza está diretamente relacionada à falta de escolaridade, que dificulta a obtenção de informações do economês financeiro: ?taxas de juros, capitalização, aplicação, previdência privada, consórcio etc. A pesquisa da CNI revela que 78% da população utilizam dinheiro em espécie para pagar contas. Isso seria hábito/característica da população de baixa renda? Apesar de vir caindo, perdendo espaços para o dinheiro de plástico, o pagamento em espécie nunca deixou de ser a forma mais importante de pagamento. Pela tradição, confiança, existência de uma amplíssima rede de pequenos negócios, peso elevado da economia informal, valor baixo da compra e pela dificuldade em obter o cartão de crédito ou débito ou mesmo o talão de cheque, o dinheiro se mantém como o principal meio de pagamento. As taxas cobradas pelos bancos dificultam a abertura de contas. São, de fato, elevadas para o bolso de assalariados? As maiores barreiras para a abertura ? e manutenção ? de contas bancárias são a falta de informações e o medo de uma relação com uma instituição complexa como é um banco. O valor das taxas cobradas apenas alimenta esse temor. Como a população mais pobre nunca frequentou um banco, pela falta de recursos ou de domínio das informações, que exigem uma relativa escolaridade, a utilização dos serviços bancários sempre foi um privilégio para uma minoria e um mistério para a maioria dos cidadãos. Outro aspecto importante é a vinculação, ainda atual, da maioria da população com a economia informal. As vendas no fiado, a compra nos vendedores ambulantes, a prestação no carnê e na caderneta, a ampla rede de vendedores porta a porta, o dinheiro obtido no agiota ou empréstimo junto a familiares e conhecidos revelam o quanto o sistema financeiro estava distante dos segmentos assalariados mais pobres da população. MM

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