Economia
Turbul�ncias devem continuar
São Paulo, SP ? Panamericano, Morada, Schahin, Matone, Prosper e Cruzeiro do Sul. A lista de bancos de pequeno e médio portes que fecharam as portas nos últimos 20 meses não para de crescer. Pior: deve ganhar mais alguns integrantes nos próximos meses, pois é consenso que esse segmento do mercado passa por uma mudança estrutural. Banqueiros e analistas descartam o chamado risco sistêmico, mas veem turbulências à frente. Novas fusões e aquisições são dadas como certas até o fim do ano. Essas seis instituições que deixaram de operar de novembro de 2010 para cá tinham, somadas, R$ 36 bilhões em ativos, o equivalente a 1% do sistema financeiro nacional. Parece um número baixo, mas, quando se fala de setor bancário, todo cuidado é pouco. ?As instituições financeiras são interligadas. Um problema em um banco pequeno pode se refletir em todo o sistema?, explica o analista de instituições financeiras da Austin Rating, Luís Miguel Santacreu. Um exemplo claro do que ele diz é o do banco de investimentos americano Lehman Brothers, que foi à falência em setembro de 2008 e detonou a crise global que perdura até hoje. Na ocasião, o Lehman era apenas o quinto maior entre os bancos de investimento, uma formiga perto de gigantes como o Bank of America e o Citibank. Por isso, quando um banco como o Cruzeiro do Sul sofre intervenção, como ocorreu no início da semana passada, a cautela toma conta de todo o sistema. É uma situação que prejudica justamente as instituições menores, que têm mais dificuldades para captar dinheiro. ?Por causa do Cruzeiro do Sul, sou novamente obrigado a abandonar o planejamento estratégico. Meu único foco é a liquidez do dia a dia?, desabafou um presidente de banco médio.