Economia
Mel de abelha sobe 325% e some do mercado
ANA MÁRCIA O mel de abelhas teve um aumento de 325% e desapareceu do mercado nacional depois da alta do dólar e de problemas nos países produtores. Segundo informações do empresário alagoano, José Jakson Pereira da Silva, a China, maior exportadora do mundo, foi obrigada, por determinação da ONU, a incinerar e destruir seus enxames, porque o mel estava contaminado com pesticidas, gerando substâncias antibióticas no produto, enquanto a Argentina enfrentou o mesmo problema por causa de um vírus que ataca as abelhas como se fosse a Aids para o homem. ?Esses fatos favoreceram o mercado brasileiro. Descobriram lá fora, há cerca de oito meses, que temos o melhor mel do mundo?, explicou Jakson, no ramo há 20 anos em Alagoas, com especialização em apicultura em vários países da Europa. O produto de sua empresa ?O Cortiço? vai para o Piauí e Ceará, de onde segue para a Alemanha e Estados Unidos. O preço cobrado no início era de 0,92 centavos de dólares por quilo, hoje o mercado internacional oferece 2 dólares por quilo de mel. A exportação direta de Alagoas ainda não vem sendo feita porque o empresário aguarda a liberação do Ministério da Agricultura. Os Estados Unidos são quem oferecem a melhor oferta, segundo informações de Jakson, com pagamento à vista. ?A desvantagem da dolarização para a nossa atividade é o desabastecimento do mercado interno, uma vez que os supermercados não têm aceitado um aumento tão elevado que chega a 325%, mas acredito que poderemos contornar a situação?, diz o empresário. Segundo ele, antes desses fatos, o preço do mel estava totalmente defasado, em conseqüência, vários apicultores venderam suas colmeias e hoje estão tentando retomar seus negócios, o que poderá melhorar o abastecimento interno. Nos supermercados, quem tinha estoque antigo ainda não reajustou os preços, mas há uma elevada resistência em aceitar este aumento. ?Não posso deixar o mercado interno desabastecido, em respeito ao meu cliente, mas também não posso levar prejuízo. O problema é que a procura externa foi tão grande que esvaziou as reservas nacionais, por isso acho que o governo deveria investir mais na produção?, ressalta Jakson. Na sua opinião, os governantes deveriam investir na base, na produção do campo, gerando a permanência das famílias na terra, evitando assim tantos problemas nas cidades. Investimento ?Americanos estão querendo investir em Alagoas, na produção de mel de abelhas para exportação, porque eles aprovaram o nosso produto como o melhor mel do mundo e querem aumentar esta produção trazendo benefícios aos apicultores alagoanos?, informa o empresário, afirmando que tais investimentos iriam para o Piauí, mas foram desviados para Alagoas, com a sua intervenção. Os investimentos deverão ser feitos através de associações e cooperativas, de acordo com o poder produtivo de cada região. Neste caso, a sua empresa servirá como intermediária entre o produtor rural e os Estados Unidos, ao adquirir toda a produção para exportar. Jakson pretende ainda, com a sensibilização das autoridades, proteger as algarobas, responsáveis pela produção de mel de alta qualidade. As árvores estão sendo destruídas nos municípios de Mata Grande, Inajá, Ibimirim e Águas Belas, estes três últimos em Pernambuco.