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Nº 5718
Economia

Servidores p�blicos n�o t�m nada para festejar

Os milhares de servidores públicos municipais, estaduais ou mesmo federais têm muito pouco a comemorar nesta segunda-feira, Dia Nacional do Servidor Público. Em sua maioria com salários defasados e, amargando perdas irreversíveis de direitos trabalhistas

Por | Edição do dia 27/10/2002 - Matéria atualizada em 27/10/2002 às 00h00

Os milhares de servidores públicos municipais, estaduais ou mesmo federais têm muito pouco a comemorar nesta segunda-feira, Dia Nacional do Servidor Público. Em sua maioria com salários defasados e, amargando perdas irreversíveis de direitos trabalhistas, os cidadãos responsáveis pelo andar da máquina pública vivem, talvez, a pior situação de sua história. “Estamos há mais de sete anos sem reajuste salarial”, afirma Iolanda Pereira Santana, do Sindicato dos Servidores da Universidade Federal de Alagoas (Sintufal), entidade representativa de categoria com perda salarial de 47%. Quando ingressou no serviço público, há 27 anos, João Saraiva, diretor do Sindicato dos Servidores do Setor Público Agrícola e Ambiental do Estado de Alagoas (Sindagro), não imaginava que fosse chegar ao fim de sua carreira em situação que considera humilhante. Vinculado à antiga Emater, órgão hoje extinto, encontra-se, atualmente, vinculado ao chamado “sucatão” do serviço público estadual: a Companhia Alagoana de Recursos Humanos e Patrimoniais (CARHP), entidade que reúne outros 2.000 servidores que chegam ao fim da linha lutando pelo mínimo. Direitos no lixo “Tivemos nossos direitos trabalhistas jogados no lixo e hoje lutamos para receber o dinheiro de uma dívida trabalhista para investir em atividade que nos garanta um mínimo de dignidade. Ou seja: não temos nada a comemorar. Lutamos tanto pelo desenvolvimento do chamado setor primário (agricultura), mas, diante da política de desmonte do setor público, vivemos à míngua e com salários irrisórios. Infelizmente”, afirma João Saraiva. Setor primário Ainda de acordo com o sindicalista, os servidores integrantes do chamado setor primário (agricultura) e que ainda sobrevivem no serviço público como um todo são sobreviventes da chamada “operação desmonte” do serviço público desencadeada sobretudo a partir da definição das políticas econômicas do governo central. “Os servidores é que pagam a conta de medidas desastrosas e ainda da falta de investimento em setores essenciais, como é o caso da agricultura”, ressalta João Saraiva. Como resultado ainda da chamada “operação desmonte”, Saraiva afirma que os integrantes do Sindicato do Setor Público Agrícola e Ambiental de Alagoas (Sindagro) amargam salários diminutos para o potencial de produção que têm. “Muitos tem nível superior e resistem com salários muito abaixo do que poderiam ganhar”, explica. Situação difícil, principalmente em relação a salário, vive os funcionários federais. “Estamos há sete meses sem reajuste”, diz Iolanda Pereira, coordenadora do Sindicato dos Servidores da Universidade Federal de Alagoas (Sintufal). Ela exemplifica a dificuldade dos servidores explicando que nesse período, enquanto a inflação e o custo de vida subiram, o salário dos servidores federais já acumula defasagem de 47%. Não fosse a falta de dinheiro no bolso, os filiados ao Sintufal amargam ainda a humilhação de não ter o devido acesso à assistência médica oferecida pelo plano de saúde dos servidores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). “Em virtude do não repasse do que é descontado de nossos vencimentos, só temos direito a atendimento de urgência e emergência”, completa. Depois de 21 anos de dedicação ao serviço público, Iolanda Pereira diz que a situação de penúria por que passa o servidor público federal faz parte do “projeto neoliberal” de subordinação às instituições financeiras internacionais. “O País vive sempre submisso e só consegue pagar a conta a partir do arrocho salarial e ainda da retirada de inúmeros direitos trabalhistas”, ressalta Iolanda, segundo a qual embora não haja motivos para comemoração, o Sintufal promove, amanhã, uma confraternização em alusão ao Dia do Servidor Público.

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