Economia
D�lar volta a cair e pode fechar o ano em R$ 3
Pelo quarto dia útil consecutivo, o dólar deu continuidade à trajetória de baixa iniciada na semana passada e encerrou esta segunda-feira a R$ 3,53 para venda e R$ 3,515 para compra, em queda de 1,94%. Desde a eleição, no último dia 27, o dólar recuou 5,4%, ou 20 centavos. O valor do fechamento de ontem é o menor desde os R$ 3,405 de 20 de setembro. Se mantiver esse ritmo, os analistas acreditam que o dólar chegará ao fim do ano cotado entre R$ 3,20 e R$ 3,40, mas entre os mais otimistas, como o diretor internacional da Corretora Liquidez, Ofir Elias, já há quem aposte no retorno a R$ 3, patamar rompido pela primeira vez, em sete anos de Real, no dia 26 de julho deste ano. O dólar futuro para dezembro na BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuro) fechou a R$ 3,503, em queda de 1,26%. Os negócios do dia foram bastante tranqüilos e o volume de negócios foi considerado regular durante a manhã e baixo durante a tarde. Não houve operação de destaque e o predomínio foi de pequenas vendas por parte de bancos e exportadores, que ainda ajustam suas posições para a o novo cenário, mais positivo. A comunidade financeira se mantém atenta aos passos do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, mas a percepção geral já é positiva graças às freqüentes declarações do PT mostrando compromisso com a austeridade fiscal e a estabilidade dos preços. A maior parte dos investidores havia se preparado para turbulências decorrentes de rupturas econômicas com a transição presidencial, mas como isso ainda não aconteceu, eles se vêem agora obrigados a reverem suas posições com maior moderação. Entretanto, o movimento de recuperação ainda é contido e os investidores ainda se preocupam com a falta de linhas externas para o país, que dificulta a rolagem de dívidas de empresas e alimenta a demanda por dólares. Além disso, há preocupação com a dívida do governo, bastante pesada nesses dois últimos meses de transição. Em novembro, o governo terá que saldar com os investidores US$ 4,4 bilhões em dívida cambial, sendo o próximo vencimento no dia 14 (US$ 1,9 bilhão, segundo o Banco Central). Em dezembro serão mais US$ 3,7 bilhões. Já em dívida externa há, até o fim do ano, US$ 8,8 bilhões entre vencimentos públicos e privados, sendo US$ 3,01 bilhões em novembro e US$ 5,82 bilhões em dezembro.