Economia
Nova lei chega para beneficiar
Proprietárias de agências especializadas no encaminhamento de domésticas aos lares situados em bairros nobres de Maceió confirmam uma tradição do século passado: 90% dos patrões vinculam as contratações à disponibilidade dos contratados para morar no local do serviço. Exigem jornada de trabalho superior às 8 horas e, na maioria dos casos, não pagam hora-extra. ?A nova lei chega para beneficiar o trabalhador que dorme no local de trabalho e cuja jornada ultrapassa bastante o que está previsto na legislação?, avalia a empresária Sibelly Nishimura, que atua no ramo de agenciamento de mão de obra doméstica, em Maceió, desde 1997. Das milhares de mulheres que contaram com sua ajuda para conseguir emprego em Maceió, 70% vieram do interior. ?Não ter residência na capital acaba sendo decisivo para a conquista do emprego?, analisa a empresária. O trunfo inicial, avalia Sibelly, pode se transformar num problema para o empregado, que não consegue manifestar insatisfação ante a pedido de ajuda do patrão para lhe servir a refeição depois do horário de expediente. ?Com a nova regra, patrão e empregado terão que entrar em acordo e definir horários?, recomenda. Apurou a Gazeta que, dos domésticos com carteira assinada, a imensa maioria recebe salário mínimo, mais dinheiro equivalente a duas passagens de ônibus. O adicional noturno ? que poderia ser pago quando o patrão exige a companhia do empregado em restaurantes ou supermercados ? é realidade para poucos.