Economia
Economia popular local avan�a
Quando deixou a zona rural de Palmeira dos Índios, Cícero dos Santos decidiu não mais trabalhar para terceiros. Apostou, então, num ofício simples e rudimentar: conserto e venda de sapatos. Dezessete anos depois, ratifica a satisfação pela criação de quatro filhos e a conquista da casa própria, avaliada em R$ 80 mil. ?Não teria o padrão de vida que tenho se não fosse meu próprio patrão?, explicou à Gazeta, quinta-feira à tarde, o empresário cujo apurado não aparece em contabilidade alguma. Mantém negócio informal até hoje. Aliás, fatura ?muito bem? graças ao consumidor detentor de baixa renda e beneficiário de repasses federais. Os R$ 1.400 líquidos que embolsa todo mês provêm da compra, conserto e revenda de pares de sapatos considerados inservíveis pelos consumidores de maior poder aquisitivo. O que é considerado descarte, em residências de bairros nobres, tem muito valor e lhe garante lucratividade superior a 100%, em média. Duas semanas atrás, comprou por R$ 7 um par de tênis que lhe foi ofertado por uma diarista. ?Era descarte lá da residência onde ela trabalha?, explicou. ?Comprei, ajeitei o solado, limpei o revestimento e o vendi por R$ 15?, emendou. Ou seja: lucro de 100% sobre o calçado que teria como destino o lixo.