Economia
Aposentado quer recuperar valores
Ezequias Barbosa, 73 anos, economista aposentado, não lembra o valor pago à Telecomunicações de Alagoas (Telasa) pelas ações que lhe deram direito ao uso de duas linha telefônicas, mas recorda do quão difícil foi pagar o vultoso investimento. Da Telecomunicações Brasileiras S.A. (Telebrás), gestora da Telasa, recebeu título com 1.809 ações. Em 29 de abril de 1980, cada uma delas valia Cr$ 2,00 (dois cruzeiros). Pela cotação atual, cada unidade lhe renderia até R$ 5,89 (valor atualizado da OIBR3, na Bovespa). ?Foram trinta meses pagando ao banco as prestações do financiamento feito para ser o proprietário das ações, mas o que importava mesmo, naquela época, era ter o direito de uso do telefone?, explicou. Ao contrário de milhares de alagoanos, que não tinha noção exata da negociação feita naquela época, Ezequias tinha plena consciência de que estava ajudando a financiar o sistema público de telefonia em território alagoano. ?A gente se tornava acionista e contribuía para o financiamento do sistema de telefonia fixa em Alagoas. Naquela época, o telefone era sinônimo de investimento?, recorda. O aposentado fez opção por não revender, mesmo com ágil, as ações de que era detentor porque seus familiares não abriram mão do direito ao uso da linha através do sistema de telefonia gerenciado pelo governo federal. Dentre centenas de documentos pessoais, do primeiro emprego à aposentadoria, Ezequias armazenou papéis emitidos pela empresa pública comprovando a posse das ações. ?Estão meio amarelados, em razão do passar dos anos, mas comprovam que sou acionista da Telasa. Isso me renderia alguma coisa, no futuro?, comentou, sorridente.